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Supremo autoriza Lula da Silva a dar entrevistas na prisão

Os pedidos de entrevista tinham sido feitos por vários órgãos de comunicação social em 2018.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 20 de Abril de 2019 às 18:00
Lula da Silva
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O presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro, Dias Toffoli, autorizou o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, a dar entrevistas na prisão onde está a cumprir pena por corrupção. Os pedidos de entrevista tinham sido feitos por vários órgãos de comunicação social em 2018, durante a campanha presidencial de que Lula foi afastado por causa da condenação, mas tinham sido negados por outro juíz do STF, Luiz Fux.

Fux alegou que Lula, apesar de ter sido presidente do Brasil, após a condenação por corrupção passou a ser um preso como qualquer outro e não deveria ter privilégios, como dar entrevistas. Na altura, essa decisão, tomada por Fux em carácter individual, sem levar o assunto à votação dos demais membros do tribunal, chegou a ser considerada uma forma de censura ao ex-presidente, que até ser banido da corrida presidencial liderava todas as sondagens.

Agora, também em decisão monocrática, tomada individualmente, Dias Toffoli autorizou a realização das entrevistas solicitadas em 2018, bem como de outras que a imprensa eventualmente requeira. Lula está preso desde 7 de Abril de 2018 numa sala da sede da Polícia Federal de Curitiba, capital do estado do Paraná, cumprindo uma primeira pena de 12 anos e um mês a que foi sentenciado em janeiro daquele ano, mas foi condenado em fevereiro passado a outra, desta feita de 12 anos e 11 meses também por corrupção num outro processo, que só começará a cumprir após o fim da primeira.

A decisão de Dias Toffoli de permitir o acesso da imprensa ao antigo governante surge num momento em que o próprio presidente do Supremo Tribunal estava a ser acusado de censura e de cerceamento da liberdade de expressão. Há dias, Toffoli mandou eliminar a notícia que o ligava indiretamente à construtora Odebrecht, principal envolvida nos maiores escândalos de corrupção já descobertos no Brasil, mesmo a reportagem não o acusando de nada.

A vaga de críticas e de protestos de todos os lados contra a decisão de Toffoli de censurar a reportagem, que, na verdade, só dizia que ele era amigo do dono da Odebrecht, Emílio Odebrecht, foi tão grande que outro magistrado, Alexandre de Moraes, foi forçado a derrubar a medida e a permitir a veiculação da notícia. Coincidência ou não, horas depois, e talvez para tirar de cima dos ombros a acusação de censurar a imprensa e a liberdade de expressão, Dias Toffoli autorizou que jornalistas tenham acesso ao ex-presidente preso.
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