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Investigação jornalística diz ter revelado a identidade de Banksy

Trabalho da Reuters terá descoberto a verdade sobre o conhecido e enigmático artista de rua britânico.

18 de março de 2026 às 20:22

Um dos maiores mistérios do mundo da arte pode ter sido revelado. Uma investigação da Reuters, iniciada em 2022 e publicada na passada sexta-feira, afirmou ter chegado à identidade de Banksy, o conhecido e enigmático artista de rua britânico que, ao longo de mais de duas décadas se tornou num dos mais conhecidos e rentáveis nomes no mundo da arte contemporânea.

De acordo com a agência de notícias europeia, Bansky será o pseudónimo de David Jones; este, por seu turno, será a nova identidade de Robin Gunningham, um homem que no passado já tinha sido identificado como uma forte possibilidade de se tratar do artista - e que, em 2008 (ano de uma investigação do jornal Daily Mail que chegou à mesma conclusão) terá mudado de nome.

A reportagem da Reuters teve início há mais de três anos, depois de Banksy ter revelado um mural seu em Horenka, cidade ucraniana a poucos quilómetros de Bucha, a cidade que sofreu um dos piores massacres das forças russas como parte da invasão do país.

Ao cruzar registos de entrada na Ucrânia, entrevistas a cidadãos locais que privaram com os artistas responsáveis pelo mural, e depoimentos de colaboradores e associados de Banksy que, não abordando diretamente a questão da sua identidade, ofereceram alguns detalhes sobre a vida do artista, os jornalistas conseguiram reduzir o leque de possibilidades a dois nomes previamente dados como hipóteses de 'possíveis Banksys': o já referido David Jones/Robin Gunningham, e Robert del Naja, vocalista da banda Massive Attack e conhecido pioneiro da arte estêncil no Reino Unido, a mesma técnica que celebrizou o artista de rua.

No entanto, a prova cabal a que os jornalistas tiveram acesso remonta ao ano de 2000. Nesse período, numa altura em que a arte de rua era ainda vista por muitos como vandalismo, Banksy, que tinha assumido há pouco tempo o pseudónimo e ainda estava a desenvolver o estilo que o tornou famoso, assinou várias obras em diferentes cidades americanas.

Uma delas, num outdoor em Nova Iorque, valeu-lhe uma detenção por parte das autoridades, sob acusações de perturbação da ordem pública. Foi condenado a cinco dias de serviço comunitário e ao pagamento de uma multa de cerca de 310 dólares (equivalente a cerca de 498 euros, ajustados à inflação atual)... e foi forçado a assinar uma confissão por escrito, na qual o próprio se identificava então como Robin Gunningham.

Advogado de Bansky pediu para que a história não fosse publicada

Questionado pela Reuters, Gunningham/Jones não se pronunciou sobre as conclusões dos jornalistas, e a sua representação disse que não confirmava e/ou negava vários dos detalhes contidos na investigação.

No entanto, o advogado do artista terá pedido à agência de notícias que não publicasse a história, citando preocupações com a privacidade e a segurança do artista, bem como o possível condicionamento da sua liberdade de expressão (o trabalho de Banksy contém frequentemente críticas sociais e políticas às instituições e estruturas de poder, no Reino Unido e a nível internacional).

Justificando a decisão de publicar, a agência afirmou que "o público tem um profundo interesse em compreender a identidade e a carreira de uma figura com a sua influência profunda e duradoura na cultura, na indústria da arte e no discurso político internacional".

A identidade de Banksy, alvo intenso de escrutínio há vários anos, tornou-se também numa importante imagem de marca para o artista; vários analistas afirmam mesmo que o mistério, mais até do que o seu trabalho, aquilo que move a sua notoriedade dentro e fora dos círculos artísticos.

É também um dos mais rentáveis artistas dos tempos modernos: não raramente, obras de Banksy e objetos a ele associados chegam a leilão e comandam verbas avultadas por parte de colecionadores, que ao longo dos anos ascenderam às dezenas de milhões. O ano passado, a título de exemplo, uma sua obra foi vendida pela leiloeira Sothebys por uma cifra de 5,7 milhões de dólares (4,97 milhões de euros).

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