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Taiwan quer construir cadeia de abastecimento de IA democrática com EUA

Acordo inclui uma redução das tarifas sobre os produtos taiwaneses de 20% para 15%.

20 de janeiro de 2026 às 08:55

Taipé manifestou esta terça-feira intenção de construir uma cadeia de abastecimento de alta tecnologia democrática com Washington e forjar uma aliança estratégica em torno do desenvolvimento da inteligência artificial (IA), poucos dias após um acordo comercial com os EUA.

O entendimento, anunciado na quinta-feira após vários meses de negociações, inclui uma redução das tarifas sobre os produtos taiwaneses de 20% para 15%, bem como um compromisso das empresas taiwanesas de investirem 250 mil milhões de dólares (214 mil milhões de euros) nos Estados Unidos.

Segundo o acordado, o Governo de Taipé comprometeu-se ainda a garantir mais 250 mil milhões de dólares em empréstimos comerciais para facilitar novos investimentos.

Em conferência de imprensa na capital taiwanesa, a vice-primeira-ministra, Cheng Li-chiun, enfatizou que o acordo de investimento com os Estados Unidos "não implica uma externalização da cadeia de abastecimento", mas antes procura fortalecer o setor tecnológico da ilha e consolidar a "capacidade industrial".

"Não se trata de uma transferência da cadeia de abastecimento industrial, mas sim de uma expansão da capacidade industrial taiwanesa nos Estados Unidos, com uma cadeia de abastecimento construída em conjunto pelos dois países", afirmou a responsável, em declarações divulgadas pela agência de notícias CNA.

"Antes, dizíamos 'Taiwan pode ajudar', mas esperamos que no futuro possamos dizer 'Taiwan e os EUA podem liderar'", acrescentou Cheng, defendendo ainda que a ascensão da inteligência artificial abre a possibilidade de "criar uma cadeia de abastecimento tecnológica para o campo democrático".

Quando questionado sobre futuros investimentos da TSMC --- líder mundial no fabrico de chips avançados de IA --- nos Estados Unidos, Cheng afirmou que tais decisões "devem respeitar o planeamento da empresa" e realçou que o Governo taiwanês "sempre apoiou a TSMC e a sua indústria associada".

"O que vemos é que a 'montanha protetora da nação' continua a fortalecer-se em Taiwan", destacou Cheng, referindo-se à importância estratégica do setor dos semicondutores, considerado um fator dissuasor contra um potencial ataque chinês à ilha.

Na semana passada, o jornal New York Times noticiou que o acordo comercial entre Taiwan e os EUA inclui a construção de cinco fábricas adicionais da TSMC no Arizona, estado onde esta já investiu 165 mil milhões de dólares (141 mil milhões de euros), embora a informação ainda não tenha sido confirmada pela empresa.

Desde que regressou à Casa Branca, o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem insistido na necessidade de "trazer de volta" a produção de semicondutores para os Estados Unidos, país que durante anos dependeu de fabricantes estrangeiros e de cadeias de abastecimento globais frágeis.

No entanto, especialistas acreditam que replicar a capacidade de produção de Taiwan não vai ser fácil, tendo em conta as décadas de experiência da ilha, a mão-de-obra altamente qualificada e um ecossistema abrangente de fornecedores e logística que permite manter níveis elevados de eficiência.

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