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"Taradas por vacinas": Bolsonaro ataca quem defende inoculação Covid e pede a pais para não imunizarem filhos

Vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos foi autorizada pelo órgão regulador brasileiro, a Anvisa.

07 de janeiro de 2022 às 16:11

A sociedade civil, a imprensa e entidades médicas e científicas reagiram fortemente a um novo ataque raivoso do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, contra as vacinas que protegem da Covid-19, desta feita em relação à imunização de crianças entre os 5 e os 11 anos, autorizada pelo órgão regulador, a Anvisa, a 16 de Dezembro mas que o governante tenta impedir. A vaga de repúdio generalizado foi uma reação a declarações totalmente inverídicas feitas pelo chefe de Estado esta quinta-feira, durante as quais chamou os defensores da imunização de "tarados por vacinas".

"Já se sabe que as crianças, logo após a vacina, podem sentir falta de ar e palpitações. E eu pergunto, vocês têm conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid-19? Eu não tenho.", declarou Jair Bolsonaro, ocultando, de propósito ou por ignorância, dados do próprio Ministério da Saúde que dão conta de pelo menos 308 crianças dessa faixa etária mortas no Brasil desde o início da pandemia após terem contraído Covid-19.

O presidente apelou a todos os pais e avós brasileiros para não permitirem que os seus filhos e netos sejam vacinados, acrescentando que as sequelas que as vacinas podem provocar, segundo ele, podem até levar à morte. E acrescentou que não vai permitir que a filha Laura, de 11 anos, seja imunizada contra a Covid-19, complementando que o coronavírus não faz mal algum a pessoas dessa idade, ao contrário do que diz o Ministério da Saúde, que quarta-feira seguiu finalmente a orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, e determinou para a semana que vem o início da vacinação de crianças.

"E vocês vão vacinar os vossos filhos contra algo que o jovem por si só, uma vez contraindo o vírus, a possibilidade de morrer é quase zero? O que é que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual é o interesse dessas pessoas taradas por vacinas? É pela sua vida, é pela saúde? Se fosse, estariam preocupadas com outras doenças no Brasil e não estão", disparou o presidente brasileiro, deixando perplexos até os seus aliados mais próximos e o "Centrão", o grupo de partidos que formam a sua base parlamentar mas que, ao contrário dele, apoiam firmemente a imunização de adultos e crianças contra o coronavírus.

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