Representante iraniano informou que se realizou "a primeira reunião do grupo de supervisão para a implementação do memorando de entendimento", que contou com a presença de "altos negociadores dos três países".
O Irão anunciou a criação de um canal de comunicação para abordar violações do memorando de entendimento entre Washington e Teerão, durante as conversações indiretas de esta quarta-feira com os Estados Unidos em Doha, no Qatar, divulgaram 'media' iranianos.
"O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, que se deslocou a Doha para acompanhar a implementação das disposições do memorando de entendimento (...), anunciou o fim das negociações no Qatar", avançou a agência iraniana Irna, precisando que as partes tinham aprovado a criação de um canal de comunicação "até amanhã", quinta-feira, para sinalizar e registar eventuais violações do acordo.
O representante iraniano informou que se realizou "a primeira reunião do grupo de supervisão para a implementação do memorando de entendimento", que contou com a presença de "altos negociadores dos três países".
"Foi decidido que o canal de comunicação imediato do grupo de supervisão será formalizado e documentado amanhã [quinta-feira], e que as lacunas do memorando de entendimento serão formalizadas e documentadas, para posteriormente serem discutidas e se tomar uma decisão a esse respeito", detalhou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
A delegação iraniana abordou "a violação dos compromissos dos Estados Unidos (EUA) ao abrigo do parágrafo do memorando de entendimento sobre o fim da guerra no Líbano, as notícias publicadas sobre as ações dos Estados Unidos e as forças na região, bem como algumas declarações ameaçadoras e intervencionistas de responsáveis desse país", indicou a IRNA.
Além disso, referiu que a parte iraniana defendeu, durante as conversações, "que os compromissos do memorando de entendimento constituem um todo e não podem ser considerados separadamente".
Em reuniões com responsáveis do Qatar, incluindo do Banco Central do país, também "foram analisadas algumas questões relacionadas" com parte dos seis mil milhões de dólares de fundos iranianos que estão retidos em território qatari e "decidiu-se que, de acordo com as necessidades do nosso país, se procederia à aquisição dos bens necessários e estes seriam colocados à disposição do Irão", avançou ainda a IRNA.
O montante em questão está relacionado com a libertação de seis mil milhões de dólares (cerca de 5,2 mil milhões de euros) de fundos iranianos bloqueados no Qatar provenientes de uma parte das receitas petrolíferas do Irão, transferidas da Coreia do Sul para contas de acesso restrito no Qatar.
"Chegou-se a um acordo para que, com base nas necessidades manifestadas pelo nosso país, os produtos solicitados sejam adquiridos e colocados à disposição do Irão", acrescentou Gharibabadi, citado pela IRNA, sem entrar em pormenores sobre os mecanismos.
A questão dos ativos iranianos faz parte do protocolo de acordo entre o Irão e os Estados Unidos, que prevê que os fundos e ativos iranianos congelados ou sujeitos a restrições sejam totalmente disponibilizados e possam ser utilizados assim que o acordo entrar em vigor.
Anteriormente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (equivalente ao Ministério das Finanças) iria responsabilizar-se pela disponibilização dos fundos iranianos e que os mesmos iriam ficar numa conta controlada por Washington e que seriam somente utilizados para a compra de material médico e de produtos agrícolas aos Estados Unidos.
Garibabadi voltou a insistir que não houve conversações diretas com a delegação norte-americana, também presente desde terça-feira em Doha.
Por seu lado, os enviados norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff reuniram-se com líderes qataris, com quem discutiram os últimos acontecimentos na região, "em particular o andamento das negociações entre os Estados Unidos e a República Islâmica no âmbito do memorando de entendimento", afirmou o gabinete do emir do Qatar num comunicado.
Sobre futuras negociações com vista a um acordo final, o vice-ministro iraniano afirmou que "os grupos de trabalho encarregados de acompanhar a implementação do entendimento e de negociar um acordo final já foram constituídos", mas que "ainda não se iniciaram quaisquer negociações no âmbito destes grupos".
Gharibabadi adiantou que as consultas para determinar a data e o local das negociações de um acordo final no âmbito destes grupos de trabalho continuam a decorrer por intermédio de mediadores, e que as negociações terão início assim que "estiverem reunidas as condições necessárias".
O cessar-fogo em vigor foi um resultado do memorando de entendimento assinado em 17 de junho pelos Estados Unidos e Irão, a que se segue um período de 60 dias para as partes alcançarem um acordo de paz definitivo.
As negociações estão centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
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