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Teerão insta Guterres a "condenar atos terroristas cometidos" nos protestos

Chefe da diplomacia iraniana falou diretamente com o chefe da ONU.

15 de janeiro de 2026 às 23:12

O Irão instou esta quinta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, a "condenar inequivocamente os atos terroristas cometidos" durante os recentes protestos, cuja repressão das autoridades, segundo organizações de direitos humanos, causou a morte a mais de 3.400 pessoas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, transmitiu esta posição durante uma conversa telefónica com o diplomata português.

Araqchi pediu que quer Guterres, quer o Conselho de Segurança da ONU, emitam uma declaração a condenar os "atos terroristas" cometidos durante os distúrbios e as "declarações intervencionistas" feitas pelos Estados Unidos contra o país da Ásia Ocidental.

Desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, Donald Trump ameaçou repetidamente intervir militarmente contra o Irão, antes de afirmar, na quarta-feira, que tinha sido informado "por fontes muito importantes" de que "os assassínios cessaram" e que as execuções planeadas de manifestantes não iriam ocorrer.

O ministro iraniano explicou que os "acontecimentos recentes começaram com manifestações pacíficas focadas em reivindicações económicas", mas "degeneraram em violência com a intervenção de elementos terroristas", com o "regime sionista diretamente envolvido no armamento e na organização" destes atos, bem como "com o apoio dos Estados Unidos".

"Referiu-se também aos crimes atrozes cometidos contra as forças de segurança e a população civil, incluindo a morte de crianças e mulheres, pessoas queimadas vivas, ataques a hospitais, inúmeras ambulâncias e camiões de bombeiros, e a destruição de mesquitas e centros culturais", pode ler-se, num comunicado divulgado pelo seu gabinete.

Para Araqchi, estas ações são "um exemplo de terrorismo" comparável ao do Estado Islâmico, considerando falaciosa a decisão de Washington de realizar uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sob o pretexto de abordar os acontecimentos no Irão.

Para o regime iraniano os próprios EUA são "responsáveis pela morte de milhares de iranianos através da imposição de sanções cruéis" e pelos bombardeamentos que lançaram juntamente com Israel em junho de 2025.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.

As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.

De acordo com dados divulgados na quarta-feira pela organização Iran Human Rights (IRHNGO), com sede em Oslo, pelo menos 3.428 pessoas foram mortas durante o movimento de protesto, com base em informações confirmadas diretamente pela organização ou com base em testemunhas e fontes médicas e de morgues.

Estimativas de outras organizações apontam para um mínimo de 2.637 mortos e acima de 12 mil.

Todas as organizações iranianas e internacionais destacam porém a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet há uma semana.

Teerão confirmou apenas que mais de 150 membros das forças de segurança foram mortos até ao momento, mas ainda não divulgou números sobre civis, alegando que os processos de identificação ainda estão em curso.

Segundo o chefe da diplomacia iraniana, a "calma regressou" ao país, onde as autoridades têm "o controlo total" da situação.

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