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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Temporal em São Paulo mata 12 pessoas

Vários corpos foram encontrados em diferentes pontos da maior cidade brasileira.

11 de março de 2019 às 17:11

O número de mortos pelo temporal que na madrugada desta segunda-feira atingiu com fúria São Paulo voltou a subir, chegando agora às 12 vítimas mortais após a descoberta de mais corpos em vários pontos da maior cidade brasileira e regiões limítrofes. Dos 12 mortos, seis foram soterrados pelo desabamento das suas casas e cinco afogaram-se nas ruas, onde a altura da água subiu mais de dois metros em muitos pontos.

A chuva forte começou por volta das 17h00 de domingo, horário local, 20h00 em Lisboa, e só terminou ao amanhecer desta segunda-feira. Choveu em todas as regiões de São Paulo e em quase todas as cidades vizinhas, o que impediu o escoamento das águas de uma região para outra e provocou o transbordamento de muitos rios.

Nesse período, os bombeiros receberam 601 pedidos de ajuda para alagamentos, 54 para desmoronamentos de casas e muros e 3 para deslizamentos de terra de maiores proporções. Com tantas solicitações, os Bombeiros e a Proteção Civil entraram em colapso e, também eles com dificuldade para atingir os pontos mais críticos, muita gente ficou sem socorro.

Ao amanhecer, famílias inteiras continuavam à espera de ajuda nos telhados das suas casas, em cujo rés-do-chão a água chegava ao tecto, e a cena que mais se via nas principais avenidas eram outras pessoas tentando salvar-se refugiando-se nos tejadilhos dos carros, onde várias delas tiveram de passar a noite em pé pois a água já tinha passado das janelas dos veículos. Em muitos bairros, a concentração da água das chuvas foi reforçada pela água dos rios que galgaram o seu leito e invadiram as vias próximas, aumentando a força da corrente, arrastando tudo pela frente.

O volume de água foi tão grande que congestionou totalmente tanto as galerias pluviais, por onde deveria escoar a água das chuvas, quanto os esgotos, e moradores relataram que as suas casas foram invadidas por esgoto que saía pelas sanitas. Vários bairros ainda estavam isolados no final da manhã, e os acessos a cidades limítrofes, como São Caetano, Mauá, São Bernardo do Campo, Santo André e até para o Rio de Janeiro estavam difíceis.

O pavor das pessoas foi aumentado pela falta de energia em diversas regiões, obrigando-as a esperarem socorro no escuro, e os transportes tiveram de parar por as ruas e até as linhas férreas estarem submersas. Na linha 10 dos comboios suburbanos que ligam São Paulo a cidades vizinhas, a circulação foi totalmente paralisada e passageiros, sem conseguirem seguir nem mesmo descerem para as estações, também debaixo de água, passaram a noite dentro das composições.

Voluntários foram decisivos para evitar mais vítimas, como um rapaz que usou o seu Jet-ski para salvar mais de 20 vizinhos, alguns pessoas de idade, que estavam em risco dentro ou em cima das próprias casas. Quando amanheceu e os helicópteros puderam ser usados, a polícia e os bombeiros utilizaram cestos de resgate para retirar moradores ilhados em risco de afogamento e levá-los para locais mais seguros, enquanto outros faziam resgates através de botes.

Por toda a gigantesca São Paulo, o que se vê esta segunda-feira são escombros de casas e muros, muita lama e lixo de todo o tipo, e carros amontoados uns por cima dos outros depois de terem sido arrastados pela corrente que se formou nas ruas. A previsão meteorológica para esta segunda-feira é de mais chuva forte a partir do meio da tarde.

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