Morte de Sandro ‘Funa’, de Monte Abraão, aumenta sentimento de apreensão nos familiares dos portugueses que lutam pelo Estado Islâmico. Pedem que regressem a casa.
Foi a família de Sandro Monteiro, mais conhecido em Monte Abraão (Sintra) como ‘Funa’, que informou as autoridades portuguesas da morte do jovem jihadista, de cerca de 30 anos. Os familiares dos outros portugueses que continuam na Síria pedem o regresso dos jovens.
A família de ‘Funa’ terá sido avisada pelos amigos de Sandro, também eles jihadistas, que se encontram na Síria a lutar pelo Estado Islâmico (EI).
Mas a notícia também pode ter sido transmitida pelos líderes da organização terrorista, que controlam de perto os acessos aos emails e redes sociais dos recém-recrutados.
"Estando o português no EI, e sendo esta organização terrorista de base territorial, dificilmente haveria um aviso oficial às autoridades portuguesas", explicou ao CM o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Rui Pereira.
A morte de Sandro Monteiro, de origem cabo-verdiana mas nascido em Portugal, na sequência de um bombardeamento aéreo das forças da coligação, em Kobane, no fim de outubro, veio reforçar o sentimento de apreensão nas famílias dos jihadistas lusos.
No Facebook, são muitos os pedidos para que Fábio Poças, de 22 anos, volte para casa. O jovem deixou em Mem Martins (Sintra) a mãe e duas irmãs gémeas e não tem contacto com a família.
"Tenho muitas saudades tuas mano", escreveu uma das irmãs na legenda de uma fotografia em que aparece ao lado de Fábio Poças. Logo surgiram inúmeras mensagens de apoio e esperança: "Deus vai trazê-lo de volta." Os bombardeamentos massivos que têm ocorrido nas últimas semanas, sobretudo em Kobane, têm provocado elevadas baixas nas fileiras do EI. Esta forma de ataque é um golpe brutal nas reservas do grupo terrorista, dado que é difícil substituir de imediato os jihadistas por novos combatentes.
Segundo apurou o CM, os governantes portugueses foram todos avisados para não falarem sobre este assunto. Ainda assim, com cautela, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse ontem que o Governo desconhece oficialmente a morte do jihadista português na Síria. "Não temos ainda confirmação absoluta dessa informação, e, portanto, não posso, em definitivo, dizer nada sobre isso", referiu. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros, questionado pelo CM, referiu que " não tem nada a acrescentar".
De navio para a guerra
Os candidatos a jihadistas que pretendem juntar-se às fileiras radicais na Síria e no Iraque estão a viajar cada vez mais em navios de cruzeiro para iludir os controlos apertados nos aeroportos internacionais. As viagens são reservadas para países próximos, como a Turquia, de onde é fácil chegar aos países em conflito.
O alerta partiu da Interpol, que sugere o alargamento aos navios de cruzeiro do tipo de controlo de listas de passageiros atualmente realizado nas viagens aéreas.
A Turquia assegura estar a cooperar no controlo do terrorismo e diz ter deportado nos último meses centenas de suspeitos jihadistas detidos em aeroportos e em estações de autocarro.
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