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Transportadoras europeias terão de voar mais 40 milhas náuticas para evitar o espaço aéreo da Bielorrússia

Líderes europeus pediram às companhias europeias para evitarem o espaço aéreo bielorrusso, banindo também as transportadoras da Bielorrússia na Europa.
Lusa 25 de Maio de 2021 às 15:37
Avião
Avião FOTO: João Miguel Rodrigues
As companhias aéreas da União Europeia (UE) vão ter de voar em média mais 40 milhas náuticas para evitar o espaço aéreo da Bielorrússia, levando a voos maiores e com maiores custos de combustível, informou esta terça-feira a Eurocontrol.

Na segunda-feira, os líderes europeus pediram às companhias europeias para evitarem o espaço aéreo bielorrusso, banindo também as transportadoras da Bielorrússia na Europa.

A medida surgiu devido ao desvio forçado de um voo da Ryanair para Minsk (Bielorrússia) no domingo à tarde, a meio de uma viagem entre Atenas (Grécia) e Vílnius (Lituânia), que culminou com a detenção do jornalista e ativista bielorrusso Roman Protasevich.

Questionada pela agência Lusa, a Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol) afirma hoje em resposta escrita que "as companhias aéreas que evitem o espaço aéreo da Bielorrússia podem incorrer em tempo e custos de combustível adicionais, dependendo da rota", sendo que "as de longo curso serão geralmente relativamente menos afetadas".

Dados da Eurocontrol facultados à Lusa revelam que cerca de 400 voos diários utilizam o espaço aéreo bielorrusso, dos quais 300 são de sobrevoo e 100 têm origem ou destino na Bielorrússia.

Destes 300 sobrevoos por dia, perto de 100 são companhias aéreas da UE e do Reino Unido.

Ainda de acordo com os dados da Eurocontrol enviados à Lusa, todas semanas, cerca de 14 dos voos com origem ou destino na Bielorrússia dizem respeito a transportadoras aéreas da UE ou Reino Unido.

"Se as 100 transportadoras da UE ou Reino Unido não puderem utilizar o espaço aéreo bielorrusso para sobrevoos, terão em média de voar 40 milhas náuticas mais longe do que se passassem pela Bielorrússia", estima a organização na resposta à Lusa.

A Eurocontrol explica que "as rotas mais eficientes para a maioria das transportadoras que sobrevoam a Bielorrússia serão as redirecionadas através dos países Bálticos [Estónia, Letónia e Lituânia]".

A estrutura pan-europeia garante estar "já a trabalhar em estreita colaboração com os prestadores de serviços de navegação aérea dos países vizinhos e de outros países afetados para garantir que estas alterações nos fluxos de tráfego possam ser geridas de forma segura e evitando o mais possível atrasos".

Reunidos em cimeira extraordinária em Bruxelas na segunda-feira, os líderes europeus decidiram, de forma unânime, "pedir ao Conselho para adotar as medidas necessárias para banir a entrada no espaço aéreo europeu de companhias aéreas da Bielorrússia e impedir o acesso dessas transportadoras aos aeroportos da UE".

Decidiram, também, "pedir às companhias aéreas sediadas na UE para evitarem sobrevoar a Bielorrússia".

Nesta resposta à Lusa, a Eurocontrol explica que o principal impacto nos aeroportos europeus será "a perda de voos de ou para a Bielorrússia", nomeadamente por parte da companhia aérea de bandeira daquele país, a Belavia.

A organização assinala que a Belavia opera para vários aeroportos da UE - nenhum em Portugal - como Helsínquia, Charleroi (Bruxelas), Amesterdão, Riga, Tallinn, Milão, Varsóvia, Vílnius, Frankfurt, Berlim, Munique, Hanôver, Paris, Budapeste, Praga, Roma, Lárnaca, Estocolmo, Barcelona e Viena.

Já falando sobre montantes cobrados para o controlo do tráfego aéreo, a Eurocontrol precisa que "as taxas cobradas por sobrevoar a Bielorrússia dependem da rota e do peso da aeronave", sendo que, a taxa média para voos em trânsito (sem descolagem ou aterragem) na Bielorrússia varia "entre 245 euros para uma aeronave da gama A320 e 770 euros para uma aeronave da gama A380".

Em concreto, "em 2019, a Eurocontrol faturou e cobrou 85 milhões de euros em taxas de navegação aérea em nome da Bielorrússia", adianta a organização à Lusa.

Na tomada de posição na segunda-feira, os líderes da UE exigiram ainda uma "investigação urgente" por parte da Organização da Aviação Civil Internacional ao incidente registado no domingo com o voo da Ryanair.

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