Governo de Volodymyr Zelensky afirmou que "o mais provável é que se trate de uma operação de bandeira falsa russa".
A Ucrânia negou este domingo qualquer relação com os explosivos encontrados perto de um gasoduto no norte da Sérvia, depois do Governo húngaro ter ligado Kiev a uma "tentativa de ataque terrorista".
"Rejeitamos categoricamente as tentativas de associar falsamente a Ucrânia ao incidente dos explosivos encontrados perto do gasoduto Turk Stream na Sérvia. A Ucrânia não tem nada a ver com isto", escreveu numa rede social o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Heorhii Tykhyi.
O representante do Governo de Volodymyr Zelensky afirmou que "o mais provável é que se trate de uma operação de bandeira falsa russa, no âmbito da forte ingerência de Moscovo nas eleições húngaras".
O incidente ocorreu a uma semana das eleições legislativas na Hungria, consideradas cruciais, uma vez que o líder da oposição, Péter Magyar (Tisza), está à frente nas sondagens e poderá pôr fim aos 16 anos de poder com maiorias absolutas do primeiro-ministro populista, Viktor Orbán (Fidesz).
As autoridades sérvias abriram uma investigação depois de agentes do Exército e da Polícia terem encontrado duas mochilas e dois grandes pacotes de explosivos com detonadores na localidade de Kanjiza, na fronteira com a Hungria.
Até ao momento, não há informações sobre a origem dos explosivos nem sobre quem os poderá ter colocado no local.
O primeiro-ministro húngaro convocou uma reunião urgente do Conselho de Defesa e, no final, anunciou o reforço do controlo militar do gasoduto Balkan Stream (uma extensão do Turk Stream) após as autoridades sérvias terem detetado "uma ação de sabotagem no troço da Voivodina do gasoduto que abastece a Hungria".
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Orbán afirmou que "as ambições da Ucrânia representam um perigo de vida para a Hungria", depois de indicar que 60% do gás consumido no país é importado através deste gasoduto.
"A Ucrânia trabalha há anos para cortar a Europa do abastecimento energético russo: explodiram o gasoduto Nord Stream e bloquearam o gasoduto que chega à Hungria. Este ano, com o encerramento do oleoduto Druzhba, impuseram um bloqueio petrolífero. A Hungria e o troço russo do gasoduto Turk Stream são alvo de ataques militares contínuos", comentou.
Também após a reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, afirmou, nas redes sociais, que "esta tentativa de ataque terrorista está perfeitamente alinhada com uma série de ações com as quais os ucranianos tentam constantemente cortar o fornecimento de gás e petróleo da Rússia para a Europa".
Na campanha eleitoral, o líder húngaro tem atacado repetidamente a Ucrânia, acusando Kiev de tentar perturbar a segurança energética da Hungria, Estado-membro da UE, que, tal como a Eslováquia, continua a importar gás russo.
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