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Explosivos encontrados perto de gasoduto que abastece Sérvia e Hungria de gás russo

Primeiro-ministro húngaro anunciou que este gasoduto é "uma infraestrutura essencial de gás" e indicou que ia convocar o Conselho Nacional de Defesa húngaro para esta tarde.

05 de abril de 2026 às 15:39

Mochilas com explosivos foram este domingo encontradas em Kanjiza, norte da Sérvia, perto da rota do gasoduto Balkan Stream, que fornece gás russo a este país e à vizinha Hungria, anunciou o Presidente sérvio, Aleksandar Vucic.

O caso já está a ter impacto na campanha para as legislativas húngaras, marcadas para dia 12 e nas quais o primeiro-ministro populista, Viktor Orbán (Fidesz), pode ser derrotado pelo líder da oposição, o conservador Péter Magyar, do Tisza, de acordo com as sondagens.

Duas mochilas, que continham "grandes pacotes de explosivos e detonadores", foram encontradas pela polícia e pelo exército "a algumas centenas de metros do gasoduto", disse Vucic, que elogiou "o bom trabalho" dos serviços secretos sérvios.

"Informei o primeiro-ministro húngaro sobre os primeiros elementos da investigação realizada pelas nossas autoridades militares e policiais sobre a ameaça a esta infraestrutura crítica de gás", acrescentou, sem mencionar possíveis suspeitos ou motivos.

O Presidente sérvio -- que, tal como Orbán, é próximo de Moscovo - limitou-se a mencionar a existência de vestígios, sem detalhar, e afirmou que o explosivo teria a capacidade de "ameaçar muitas vidas" e causar danos significativos ao oleoduto.

"Há certos vestígios sobre os quais não posso falar. Há uma grande área de terra, também um grande lago, por isso as buscas demoraram muito tempo e os helicópteros foram uma grande ajuda. Mas os jogos geopolíticos não nos deixam em paz e é por isso que devemos demonstrar a nossa máxima capacidade de combate. Agiremos de forma decisiva contra qualquer pessoa que acredite que ameaça a infraestrutura vital da República da Sérvia", sublinhou o Presidente, que falava à imprensa durante uma visita ao local da Expo2027, em Belgrado.

Vucic acrescentou que a proteção das principais infraestruturas energéticas foi reforçada e estão a ser tomadas todas as medidas necessárias para prevenir potenciais ameaças.

O primeiro-ministro húngaro anunciou que este gasoduto é "uma infraestrutura essencial de gás" e indicou que ia convocar o Conselho Nacional de Defesa húngaro para esta tarde.

Numa publicação nas redes sociais, o líder da oposição húngara exigiu estar presente na reunião.

"Peço ao primeiro-ministro que me informe sobre os desenvolvimentos, sem demora, e que me convide para a reunião do Conselho de Defesa, pois a situação terá de ser resolvida pelo Governo Tisza", disse, numa alusão à eventual vitória eleitoral no próximo domingo.

Magyar também pediu que este acontecimento não impeça a realização das eleições.

"Saliento que não vão conseguir impedir as eleições do próximo domingo. Ele não conseguirá impedir que milhões de húngaros fechem as duas décadas mais corruptas da história do nosso país", acrescentou, numa referência aos 16 anos de Orbán à frente do Governo húngaro.

"Se Viktor Orbán e a sua propaganda usarem esta provocação para um propósito de campanha, será uma admissão aberta de que esta é uma operação pré-planeada", acrescentou.

O Balkan Stream, uma extensão do Turk Stream que passa sob o mar Negro, destina-se a transportar gás russo para a Sérvia e a Hungria.

A Sérvia depende largamente dela, uma vez que a grande maioria do seu gás provém da Rússia, a um preço muito inferior ao do mercado europeu.

Candidato à adesão à União Europeia (UE), é um dos poucos países do continente que não impôs sanções à Rússia na sequência da invasão da Ucrânia, sendo ainda visto como aliado de Moscovo.

A Hungria também depende das importações russas de gás e petróleo.

Nas últimas semanas, Viktor Orbán acusou Kiev de atrasar deliberadamente as reparações do oleoduto Druzhba, que passa pela Ucrânia.

Kiev afirmou que a estrutura, que transporta petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia, foi danificada por ataques russos no final de janeiro.

Em retaliação, Orbán decidiu bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia.

Figuras da oposição húngara e líderes europeus acusaram Orbán de dar uma importância exagerada ao caso do oleoduto para impulsionar a sua campanha para as eleições do próximo domingo. Orbán rejeitou estas acusações.

O líder húngaro tem atacado repetidamente a Ucrânia, acusando Kiev de tentar perturbar a segurança energética da Hungria, que, tal como a Eslováquia, continua a importar gás russo.

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