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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ucranianos em Portugal pedem posição politica ao Governo sobre manobras da Rússia

Confronto armado entre a Ucrânia e forças rebeldes apoiadas pelos russos já custou a vida de cerca de 14.000 pessoas, em sete anos, de acordo com a ONU.

13 de abril de 2021 às 22:37

A comunidade ucraniana em Portugal manifestou esta terça-feira uma preocupação crescente com o aumento da presença militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia e pediu uma tomada de posição política ao Governo português.

Diversas associações e comunidades de ucranianos em Portugal divulgaram esta terça-feira uma carta aberta, endereçada ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, onde é pedida uma "posição politica de Portugal" sobre o "aumento das forças ofensivas russas na fronteira com a Ucrânia".

E defendem ainda "sanções adicionais que contribuirão para desocupação da Ucrânia pela Rússia".

"A comunidade ucraniana em Portugal está mais uma vez preocupada com as notícias da Ucrânia e vive em constante tensão que a qualquer momento a Federação Russa possa começar uma invasão em grande escala contra a Ucrânia, onde cada um de nós tem familiares e amigos", pode ler-se na carta a que a agência Lusa teve acesso.

Recordando que muitos membros desta comunidade são já cidadãos portugueses, na carta é manifestada a preocupação com o futuro de Portugal, da Europa e com a possível não integração da Ucrânia "na família europeia".

"Por isso quando a Rússia mais uma vez ameaça a Ucrânia por causa da sua escolha pró-europeia, recorremos aos governos europeus para ajudar a Ucrânia a se defender contra a agressão de um país que tem um enorme armamento nuclear", assinalam.

A comunidade ucraniana portuguesa destaca ainda que os russos não estão interessados "na existência de uma Ucrânia independente, como já os titulares de altos cargos políticos russos o disseram abertamente".

E consideram que sete anos após a anexação da Crimeia e o início da "agressão russa", os líderes políticos da Rússia "não estão interessados em construir relações pacíficas com a Ucrânia".

A carta é assinada pela Associação dos ucranianos em Portugal, Associação da Juventude Ucraniana em Portugal, Associação «Pirâmide das palavras», Associação dos Ucranianos do Algarve, Centro educativo e cultural luso-ucraniano «Escola Tarás Shevtchenko», Associação «Fonte Mundo», Associação dos Ucranianos em Portugal «Sobor», Associação «Movimento Cristão dos Ucranianos em Portugal», Associação «Êxito das tendências», Associação Solidaria Anjos de Misericórdia e Associação Cultural de Solidariedade e Apoio - Coração Bondoso.

Ucrânia e Rússia têm-se acusado mutuamente por responsabilidade direta no aumento da intensidade do conflito e o Kremlin já admitiu que reforçou o contingente militar ao longo da fronteira entre os dois países, provocando reações de preocupação por parte da União Europeia e dos Estados Unidos.

O Kremlin argumenta que a Rússia tem todo o direito de deslocar tropas para qualquer zona do seu território, e tem acusado repetidamente os militares ucranianos de "ações provocatórias" ao longo da linha de controlo no leste e planos para retomar pela força as regiões controladas pelos rebeldes pró-russos.

A Ucrânia, que tem agitado a perspetiva de um eventual ataque militar do seu vizinho, acusou a Rússia de ter concentrado mais de 80.000 soldados perto da fronteira leste e da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014 após o triunfo da rebelião "pró-ocidental" em Kiev.

O confronto armado entre as forças ucranianas e rebeldes apoiados pela Rússia no leste da Ucrânia já custou a vida de cerca de 14.000 pessoas, em sete anos, de acordo com a ONU.

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