Ministros da Defesa da UE estão esta terça-feira reunidos em Bruxelas, com três pontos na agenda: guerra na Ucrânia, situação no Médio Oriente e a prontidão europeia no domínio da Defesa.
A chefe da diplomacia da União Europeia referiu esta terça-feira que os ministros da Defesa vão decidir se tencionam substituir a força de manutenção da paz da ONU no Líbano com uma missão própria do bloco.
Em declarações aos jornalistas à entrada para uma reunião dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), em Bruxelas, Kaja Kallas referiu que a missão da ONU de manutenção da paz no Líbano, UNIFIL, termina em dezembro e "há uma vontade dos europeus para desenvolver uma nova missão para apoiar as Forças Armadas libanesas".
"Já as estamos a ajudar, mas temos de ver se há vontade de se criar uma nova missão europeia para substituir a UNIFIL", referiu.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança indicou também que, na reunião desta terça-feira, os ministros vão decidir se expandem o mandato da missão naval Aspides, que escolta atualmente navios mercantes no Mar Vermelho, para o Estreito de Ormuz.
"Só precisamos de mudar o plano operacional no mandato [da missão], o que é fácil de fazer se os Estados-membros quiserem reforçá-la e dar-lhe mais meios navais. A estrutura já está toda estabelecida", indicou.
Kallas indicou ainda que, na reunião desta terça-feira, os ministros vão também discutir sobre a necessidade de desenvolverem mais projetos comuns a nível de Defesa e como aumentar a produção de armamento.
Questionada sobre como é que vê o facto de os Estados Unidos terem decidido retirar cinco mil militares da Alemanha, a chefe da diplomacia da UE respondeu: "Isso claramente mostra que temos de aumentar a nossa própria produção em Defesa".
"E desenvolver projetos comuns para conseguirmos produzir [armamento] para nós próprios", salientou.
Nesta declaração aos jornalistas, a Alta Representante foi ainda interrogada sobre o conteúdo dos exercícios de simulação que tem apresentado aos Estados-membros e que visam mostrar como é que, na prática, poderia ser ativado o artigo 42.7 do Tratado da UE, que estabelece a cláusula de defesa mútua em caso de agressão a um dos países.
Kallas referiu que, nesses exercícios, há três cenários diferentes: o primeiro cenário é o de um ataque armado contra um Estado-membro da NATO, o que faz com que sejam ativados dois artigos: o artigo 5 da Aliança Atlântica e o 42.7 da UE.
"O outro cenário é que a agressão é contra outro Estado-membro que não pertence à NATO, ou seja em que só é ativado o artigo 42.7, e o terceiro cenário é quando o ataque se situa abaixo do limiar necessário para o artigo 5 [da NATO], ou seja, quando é um ataque híbrido", indicou.
Kallas salientou, contudo, que não tenciona comentar publicamente o teor concreto desses exercícios, porque mostram "as falhas que a UE tem".
"E é precisamente esse o objetivo desses exercícios: garantir que nos tornamos mais concretos. Quem faz o quê? Quem pode pedir o quê da Comissão? O que é que a Comissão Europeia e os Estados-membros podem fazer? É complicado, porque o artigo é muito vago e precisamos de lhe dar mais substância", frisou.
Os ministros da Defesa da UE estão esta terça-feira reunidos em Bruxelas, com três pontos na agenda: guerra na Ucrânia, situação no Médio Oriente e a prontidão europeia no domínio da Defesa.
O Governo português está representado pelo ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.
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