Bens enviados para o país deverão beneficiar entre 30 e 50 mil pessoas.
A União Europeia (UE) vai enviar nos próximos dias um segundo avião cargueiro com ajuda humanitária para mais 20 mil pessoas afetadas pelas cheias em Moçambique, foi esta segunda-feira anunciado, após a chegada da primeira carga a Maputo.
"Chegará nos próximos dias a Moçambique mais um avião com carga semelhante, tendo em vista apoiar cerca de 20 mil pessoas", anunciou, no terminal de cargas do aeroporto de Maputo, o embaixador da UE em Moçambique, Antonino Maggiore.
Chegou entretanto ao país um primeiro avião humanitário transportando 88 toneladas de suprimentos essenciais financiados pela UE, que serão distribuídos aos afetadas pelas cheias pelas equipas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Moçambique.
Os suprimentos, avaliados em 552 mil dólares (465,5 mil euros), incluem materiais de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e proteção da criança, assim como tendas que serão utilizadas para criar "espaços seguros para crianças", clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas áreas mais afetadas pelas cheias.
Espera-se que os bens que chegaram esta segunda-feira a Maputo beneficiem direta ou indiretamente 30 mil a 50 mil pessoas, "muitas delas crianças que enfrentam condições de grande vulnerabilidade", disse o diplomata europeu, após a entrega da doação às autoridades moçambicanas.
"Estamos a coordenar também com os Estados-membros, já mencionei Portugal, mas também Espanha, em termos de gestão das prioridades no setor da água. E, como eu disse, estamos em contacto com Bruxelas para a chegada de especialistas", avançou ainda.
O diplomata acrescentou que a ajuda em curso da UE é só o início, face às necessidades que se avizinham: "Mas eu queria destacar isso, que já disponibilizamos 950 mil euros. E eu espero que isso seja só o início (...). É claro que a crise vai perdurar e temos muitos efeitos que temos de gerir, então, com Bruxelas, estamos a olhar o que podemos fazer mais".
Na cerimónia de receção desta ajuda humanitária, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Maria Manuela Lucas, sublinhou que a UE foi a primeira a mobilizar apoio às cheias, no terreno desde 16 de janeiro.
"Só podemos agradecer este gesto. É um gesto nobre, mas isso significa que somos parceiros", disse a ministra, destacando ainda o apoio que os países vizinhos estão a dar a Moçambique e sublinhando o caráter extraordinário destas cheias, quando a época das chuvas (outubro a abril) ainda vai a meio.
"Isto é simplesmente o início. Vocês estão a ver a magnitude, não é? Muitos de nós, estamos a dizer que nunca vimos uma magnitude destas cheias", disse Maria Manuela Lucas, reconhecendo que a situação é "muito difícil".
Mais de 150 mil casas foram inundadas em Moçambique nas cheias deste mês, bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com informação até às 7h00 (5h00 de Lisboa) desta segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 99 centros de acomodação, com 99.907 pessoas, incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas.
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