O anúncio foi esta quinta-feira feito pela União Africana.
A União Africana (UA) assegurou esta quinta-feira, quando subiu para 246 o número de mortes associada à doença, que uma vacina contra a estirpe do vírus Ébola responsável pela atual epidemia na África Central, estará disponível este ano.
"Aquilo de que temos a certeza é que, até ao final do ano de 2026, o Africa CDC garantirá que teremos uma vacina e um medicamento contra o Bundibugyo", a estirpe em causa, assegurou o diretor-geral da Agência de Saúde Pública da União Africana (Africa CDC), Jean Kaseya, numa conferência em Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo (RDCongo).
"O número de contágios suspeitos situa-se nos 1.077, com 246 mortes associadas a esta epidemia", contextualizou Kaseya.
O diretor-geral da agência de saúde pública assinalou que a epidemia de Ébola, com o atual ritmo de contágios, caminha para se tornar "o segundo maior da história", mas que "não está fora de controlo".
Ao terreno, começou esta quinta-feira a chegar parte da ajuda internacional disponibilizada.
Um avião com ajuda doada pela União Europeia (UE) levou máscaras, luvas, botas e medicamentos - todos materiais em escassez - à cidade de Bunia, no leste da RDCongo, nação vizinha de Angola.
Também empilhadoras com a insígnia da Organização das Nações Unidas (ONU) foram vistas a carregar várias caixas para camiões, com recursos para as zonas afetadas.
Profissionais de saúde locais, com poucos mantimentos, têm lutado para conter o vírus Bundibugyo, uma estirpe que não tem tratamento nem vacina aprovados.
Além de a atuação no local ser dificultada pelos conflitos em curso na região, os profissionais de saúde têm enfrentado populações locais inconformadas por não conseguirem realizar funerais aos seus entes queridos, devido ao perigo de contágio.
Espera-se que a ajuda doada pela UE chegue em lotes ao longo dos próximos oito dias, declarou o chefe de operações de emergência da Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na RDCongo, Jérôme Kouachi, à Associated Press.
Por sua vez, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, está a caminho da RDCongo para ver de perto os esforços.
A OMS declarou a epidemia uma emergência de saúde pública de importância internacional, na esperança de intensificar a ajuda.
Os Estados Unidos da América anunciaram também esta quinta-feira que aumentaram a sua ajuda à RDCongo e ao Uganda em 80 milhões de dólares (cerca de 74 milhões de euros), elevando o seu compromisso para mais de 112 milhões de dólares (cerca de 96 milhões de euros) desde o início da epidemia.
O dinheiro adicional servirá para pagar equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, 'kits' de teste de Ébola, apoio ao rastreio sanitário em aeroportos e rastreio de contactos, segundo um comunicado publicado no 'site' do Departamento de Estado dos EUA.
O surto foi detetado na província de Ituri, fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, mas expandiu-se também para as províncias orientais congolesas do Kivu Norte e Kivu Sul, bem como para o vizinho Uganda.
No Uganda, o número de casos confirmados - todos na capital, Kampala - ascende a sete, incluindo um óbito (um cidadão congolês cujo contágio é considerado importado).
O Governo ugandês anunciou esta quarta-feira o encerramento temporário da fronteira com a RDCongo para evitar uma maior propagação do vírus no seu território.
Dez países africanos, entre os quais Angola, encontram-se em "alto risco" de ser afetados pela epidemia por partilharem fronteira com a RDCongo e o Uganda.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
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