Carlos Rodrigues

Diretor

“São todos iguais”, agora também aplicado à PJ e à justiça"

27 de julho de 2026 às 00:32
Partilhar

Luís Neves e o Governo laboram num equívoco. Olham para a crise como um problema político, quando já passou a fase em que bastava aconselhamento de comunicação. São estes os dias em que o ministro deve arranjar um advogado e preparar-se para se defender, caso o inquérito do Ministério Público o venha a visar diretamente. É por isso que as sucessivas promessas de esclarecer “ponto por ponto” tenderão a eternizar-se, arrastando com elas o bloqueio que está criado. Mesmo que decida falar, de pouco valerá. Sobre o essencial, deverá calar-se, porque tudo o que disser poderá ser usado contra si. Desde logo na comissão de inquérito que o Chega já prometeu abrir aos seus anos na PJ.

Provavelmente seria melhor para todos que saísse já. Para a instituição, que deixaria de estar exposta. Para o Governo, que poderia ensaiar uma nova era. Para o próprio, que ficaria livre para se defender da informalidade com que terá gerido certos temas na PJ, da relação com o empreiteiro ao destino dado a bens apreendidos, e de ter omitido do Tribunal Constitucional, durante anos, o património que a lei o obrigava a declarar. O contrário disto, ou seja, arrastar, prometer e adiar, só espalha como praga o pior sentimento que o caso gera: o reforço da máxima populista de que “são todos iguais”, agora estendida também à Judiciária e à justiça.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar