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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Aos poucos, o risco de novas eleições antecipadas vai ganhando forma"

26 de maio de 2026 às 00:32

Aos poucos, começam a surgir declarações, pequenas frases e reflexões soltas que nos indicam que regressou o espectro da instabilidade. Não é que o pontapé de saída tenha sido dado pelo primeiro-ministro, mas a moção de Luís Montenegro para ser reeleito como líder do PSD acabou por dar um contributo relevante para instalar o tema, mesmo que em surdina. Montenegro falou de alianças, de linhas vermelhas, à esquerda e à direita, e de maiorias absolutas. Inevitavelmente, isto provocou reações em diversos quadrantes. Percebe-se perfeitamente que a AD não desdenhasse ir a votos antes da chegada do grande embate com a realidade económica provocada pela guerra no Irão. A chegada da inflação vai provocar efeitos de choque em cadeia no consumo e na satisfação do eleitorado com a carteira. Porém, só o PS e o Chega poderão fazer a vontade ao Governo e derrubá-lo. O bom senso aconselharia qualquer partido da oposição a tudo fazer para preservar os nervos de aço e evitar uma crise, mas as sondagens podem funcionar como uma espécie de acelerador do apetite de poder. Só a vitimização proporcionada por um derrube precoce daria uma arma eleitoral poderosíssima à AD. Bem sabemos que nem sempre a racionalidade é o fator que guia a ação dos líderes políticos. O PS já cometeu esse erro com Pedro Nuno Santos à cabeça. Cairá algum destes partidos, novamente, na mesma precipitação? 

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