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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Depois do caos nos exames, só nos faltava este arranque do ano escolar"

16 de setembro de 2026 às 00:32

A colocação de uma menina com paralisia cerebral numa escola a 300 quilómetros de casa, história que hoje contamos mais à frente, parece uma piada de mau gosto. A crise não afeta apenas o ensino especial. A falta de lugares para todos os alunos na escola pública é um mal recente de que não costumávamos ouvir falar em demasia, e que agrava o conjunto de problemas tradicionais que afetam o ensino. Há um estudo a ser feito para entender a origem da súbita sobrelotação da escola pública, e não é claro que tenha a ver com a fuga dos privados por falta de dinheiro ou de qualidade.

Não há professores suficientes, não há salas de aula para acomodar mais turmas, o arranque do ano letivo tem sido um autêntico mostruário de erros, falhas e omissões. Depois do caos nos exames, depois das fortunas gastas a resolver as urgências da digitalização, que temos noticiado nos últimos dias, depois de milhares de famílias terem ficado com o coração nas mãos à espera das notas ou apenas dos enunciados que não apareciam, só faltava a instabilidade de setembro para nos fazer lembrar como temos regredido nos últimos tempos.

Os portugueses devem saber que a quebra geral de conhecimentos dos nossos jovens, registada pelo relatório PISA, não surge de geração espontânea. A escola é uma ferramenta fundamental para o progresso do País. Mantê-la arredada das prioridades governamentais hipoteca o futuro coletivo. 

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