Carlos Rodrigues
DiretorA água começa a escassear pelo efeito prolongado no tempo do aumento da população e do desgaste da rede, incluindo a multiplicação de perdas. O novo sistema de digitalização dos exames vai acumulando ‘bugs’ e pequenos erros, pouco notados antes de ser confrontado com o stress da realidade, e acaba por falhar no momento da verdade, em que os alunos fazem as suas provas. A contínua subida da população portuguesa aumenta a necessidade de casas, e a ca- rência é agravada porque muitas habitações são desviadas para o turismo local, acabando tudo num problema socialmente explosivo. A origem de todos os principais problemas políticos do momento é o mesmo: a falta de planeamento, a carência de verificação, a quebra generalizada de qualidade dos serviços do Estado. Não se preparam as respostas aos problemas, muitas vezes nem sequer se toma consciência da existência dos mesmos, e do seu agravamento progressivo. Até que um dia verificamos que estamos sentados em cima de um caldeirão de amadorismo. Falta água em Almada, os exames são caóticos, os preços da habitação tornam impossível a vida normal das classes médias. O Estado precisa de um reformador - não de grandes medidas pomposas e inúteis. Antes de um controlo permanente, do que vai falhando aos poucos. Esta é a proposta política que falta em Portugal. Não de uma tonta digitalização dos serviços. Uma mudança de mentalidade. Menos inteligência artificial e mais inteligência humana.
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Por Carlos Rodrigues
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