Carlos Rodrigues
DiretorO mundo já não tem uma América como tinha antigamente. Farol e tesouro, ideal de vida e símbolo máximo de modernidade, de cultura e de tudo o que era bom. Para a minha geração, ir aos Estados Unidos era um ritual de passagem para a idade adulta e de emancipação cultural. Filmes, música, arte, tecnologia e coisas novas, modos de ser e de parecer, quem triunfasse em Nova Iorque triunfava no mundo, dizia a canção, e promessas eternas brotavam do paraíso prometido. Até a simples televisão tinha sempre nas cadeias americanas a pérola e o segredo. Foi esta ideia de América que o ocidente perdeu em poucos meses. Tão rápida foi a degradação simbólica. Os Estados Unidos avançam para a eutanásia geopolítica. Primeiro humilharam aliados e geraram desconfiança, levando os amigos a procurarem novas parcerias. Como pode um europeu de bem criticar hoje em dia acordos com a China, reforço de laços com o Mercosul ou com a Austrália? Depois, Washington entreteve-se a demolir o sistema internacional de instituições que regularam o mundo, regulação feita, essencialmente, em seu benefício. Agora, a própria democracia, a maior construção civilizacional, está sob pressão, com as recentes ordens executivas que visam falsificar as eleições de novembro e salvar Trump, um Presidente que foi eleito para fazer da América Grande Outra Vez, mas que tem contribuído para destruir a sua antiga supremacia.
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Por Carlos Rodrigues
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