page view
Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

Metamorfose do poder

08 de junho de 2026 às 00:30

Sempre que há uma greve geral, o debate centra-se na adesão. Quantos participaram? Quantos serviços encerraram? Talvez a questão mais interessante seja outra: o que nos dizem hoje as greves gerais sobre a evolução do poder em Portugal? Durante décadas, a capacidade de parar fábricas, transportes ou serviços públicos representava uma das mais eficazes formas de contrapoder. Numa economia concentrada e fortemente estatizada, uma greve geral tinha potencial para condicionar decisões governativas. Mas o país mudou. As privatizações alteraram a estrutura económica, a integração europeia deslocou centros de decisão, a sociedade tornou-se mais individualizada. O poder não desapareceu. Mudou de lugar. As greves gerais já não devem ser avaliadas apenas pela capacidade de interromper a atividade económica. O seu impacto mede-se também pela capacidade de influenciar a agenda pública e criar pressão política. A relação dos sindicatos com os partidos ilustra bem este desafio. A proximidade garante influência institucional, mas limita a representação de um universo mais vasto de trabalhadores. Talvez por isso a década de noventa seja tão reveladora. Não houve greves gerais, mas ninguém diria que os sindicatos eram irrelevantes. A sua influência exercia-se através da negociação e da concertação. No fundo, o verdadeiro poder raramente se mede pelo número de vezes que é exibido. Mede-se pela aptidão de influenciar decisões antes de ser necessário demonstrá-lo.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Exaustos

Nenhuma sociedade evolui apenas porque se trabalham mais horas.

O Correio da Manhã para quem quer MAIS

Icon sem limites

Sem
Limites

Icon Sem pop ups

Sem
POP-UPS

icon ofertas e descontos

Ofertas e
Descontos

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8