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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

O elogio da prudência

21 de setembro de 2026 às 00:30

Vivemos uma das mais difíceis conjunturas internacionais dos últimos anos. A guerra e a instabilidade no Médio Oriente estão a ter impactos brutais e imprevisíveis, com a subida dos combustíveis que se reflecte nas famílias, nas empresas e em toda a economia. E ninguém sabe, hoje, se estamos a meio da crise, no fim ou apenas no princípio. É precisamente por isso que a resposta dos Estados tem de ser prudente. É preciso apoiar quem mais precisa, proteger as famílias mais vulneráveis e os setores económicos mais expostos, mas sem comprometer a capacidade do país para responder mais à frente. Há uma diferença fundamental entre políticas responsáveis e respostas avulsas e indiferenciadas: umas concentram os recursos onde fazem mais falta; outras distribuem hoje sem saber o que poderá ser necessário amanhã. Esgotar toda a margem de intervenção para reagir ao imediato, ignorando a possibilidade de a situação se agravar, pode ser apelativo mas não é responsável. Portugal já viveu as consequências de perder margem de manobra e de ter de recorrer a ajuda externa, com uma experiência de austeridade que ninguém deseja repetir. A melhor forma de evitar esse caminho é simples: apoiar quem precisa, proteger a economia e preservar as contas públicas. É garantir que ninguém fica para trás hoje sem deixar o país desprotegido amanhã.

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