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Alfredo Leite

Alfredo Leite

Jornalista

Reino desunido

18 de junho de 2016 às 01:45

Talvez tenha sido necessária uma morte hedionda para muitos perceberem – sobretudo no Reino Unido – que afinal há mais do que economia e relações comerciais no referendo à permanência britânica na União Europeia.

No ‘Brexit’ há, sobretudo, um país polarizado pelo ódio evidenciado na morte da deputada trabalhista Jo Cox. Acérrima defensora da manutenção das ilhas na UE e da defesa dos direitos dos imigrantes, Cox não resistiu às facadas, aos tiros e aos gritos "Grã-Bretanha primeiro!" de um extremista de direita.

Talvez seja excessivo admitir que esta morte seja o culminar expectável de uma campanha eleitoral farta em extremismos xenófobos. Sobretudo por parte de uma classe política populista incapaz de admitir que num mundo globalizado não se pode travar a imigração.

E talvez ainda seja demasiado cedo para avaliar o impacto da morte de Cox no desfecho do referendo – cujas sondagens não apontaram até agora um vencedor claro.

Mas no final de uma campanha eleitoral já suficientemente carregada de emoções, a reação do eleitorado não vai certamente ignorar que, desta vez, o crime não foi cometido por um imigrante movido por convicções mais ou menos confessáveis.

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