Bernardo Ribeiro
Os The Cure realizaram no North Festival aquilo que deles se esperava. Um grande concerto, cheio de canções que atravessam gerações, boa presença em palco e uma autoridade rara em bandas com esta história. Robert Smith e companhia fizeram a sua parte. E fizeram-na bem. Confesso que excedeu até as minhas expectativas. O problema é que, à volta desse concerto, a experiência de quem pagou bilhete esteve demasiado longe do que um grande festival deve oferecer.
A contradição torna-se ainda mais evidente quando se olha para o discurso oficial. Na apresentação do festival, a organização falou num recinto “pensado ao detalhe”, com “mais espaço, maior conforto” e “acessos simplificados”. O que muitos encontraram, porém, foi o contrário. Filas longas, circulação difícil, informação escassa e uma experiência de consumo que transformou tarefas básicas (coisas como beber água, comer qualquer coisa ou até ir à casa de banho) num teste à paciência. Mas daqueles…
O caso mais simbólico foi o dos pagamentos. Antes do festival, a informação pública dizia que os bares funcionariam em sistema cashless, através de pulseira, com pontos de carregamento no recinto. Só que ao mesmo tempo a restauração seguia a política de cada vendedor, ou seja, o cliente entrava num festival sem um modelo de pagamento simples, uniforme e imediatamente inteligível. Um caos. De legalidade duvidosa, parece-me.
O problema, note-se, não é só o cashless em si. Hoje, muitos festivais usam esse modelo. A diferença está na forma como é aplicado. No Sónar Lisboa, por exemplo, a pulseira também é o meio de pagamento, mas o sistema prevê reembolso gratuito do saldo remanescente, sem custos de transação, e disponibiliza consulta de movimentos e fatura. É assim que um sistema fechado tenta, pelo menos, respeitar o consumidor.
No North Festival, os relatos públicos vão noutro sentido. Queixas de consumidores apontam para cartões pagos, carregamentos em valores predefinidos e saldos alegadamente não reembolsáveis, além de informação pouco transparente sobre onde esse saldo podia ser usado. Houve mesmo reclamações a denunciar que o cartão só servia para bebidas, não resolvendo o resto da experiência de consumo dentro do recinto. Sim, um caos.
Isto pesa ainda mais quando o próprio festival não permitia a entrada de comida e bebida, empurrando o público para um circuito de consumo interno já congestionado. E pesa, também, porque em Portugal o numerário continua, por regra, a ter aceitação generalizada, o que torna ainda mais exigente a obrigação de comunicar com clareza absoluta quando se impõe um sistema alternativo, fechado e pago. E explicar em que lei está escrito que o dinheiro pode ser recusado.
No fim, a sensação é simples mas triste e feliz ao mesmo tempo. Os The Cure trataram o público como merecia mesmo se a organização, não. O concerto foi grande. A experiência de cliente foi medíocre. E isso, num festival, não é um pormenor. É metade do espetáculo. Felizmente os Cure fizeram tanto que era difícil sair infeliz.
Confesso que me chegou a preocupar a segurança. Não percebo bem como aquele desenho foi aprovado e que autoridades acharam que as coisas iam funcionar assim. Para não falar da sobrelotação do recinto. Enfim, há muito para melhorar mas coisas há aqui que mereciam explicações oficiais.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
O público merecia ser mais bem tratado por uma organização que se revelou medíocre
Não seremos favoritos, mas que isso não nos tire ambição para chegar longe e quem sabe... ganhar!
O Sporting tem de encontrar resposta mas de A a Z, não apenas uma.
É curioso como aqui se pode falar em tão diferentes e tão iguais.
É curioso como também aqui se pode falar em tão diferentes e tão iguais.
É triste comparar o desgoverno de Montenegro com a política seguida por Sanchéz em Espanha
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.