Mas ficamos pelo telefone: marcávamos encontros e encontrávamo-nos. Às vezes, um amigo envia-me uma sms do passeio em frente à minha casa: "Já cá estou." Ou: "Vou chegar três minutos atrasado." (vai ser mais.) Há vinte anos, trinta anos (ah, a idade), de um dia para o outro dizíamos: "Amanhã às três." E lá estávamos (na verdade, éramos mais pontuais).
Hoje, há milhões de almas suspensas do lançamento do iPhone 6; acessoriamente, há de ser um telefone, claro, mas o essencial é que já se formam filas para comprar um telefone que também é um computador, uma câmara fotográfica, uma consola de jogos, um satélite e uma picadora de carne (não, neste caso estou a brincar). O que é extraordinário é que vamos continuar a marcar encontros a que não vamos comparecer.
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Citação do dia
"Gosto muito de debates. Ultimamente substituo-os por gravações (mudas) do Bugs Bunny", a.p., no blogue Tempestade
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Sugestão do dia
É este mês, na Temas e Debates, que sai ‘O Capital do Século XXI’, de Thomas Piketty – o livro que tem feito regressar o debate sobre Marx, a redistribuição da riqueza e o conceito de capital financeiro. Uma oportunidade.
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