Há um ano, o arcebispo de Cantuária admitiu que os muçulmanos britânicos aplicassem a ‘sharia’ entre eles. Esta pérola de ‘tolerância multicultural’ ocorreu-me ao ler algumas mensagens do Twitter de Reyaad Khan, abatido há semanas durante um ataque inglês no mapa do Estado Islâmico: "Ontem executei bastantes prisioneiros", "hoje assisti à mais longa decapitação de sempre", ou "talvez a Gucci queira patrocinar o meu cinto de explosivos".
Khan não foi criado nas montanhas do Paquistão ou no deserto iraquiano; foi educado em escolas inglesas e sonhava ser o primeiro chefe de governo asiático do Reino Unido. Em 2013 rejeitou um convite para estudar na universidade de Medina, Arábia Saudita, e preferiu ir para a Síria, combater ao lado do EI e expulsar infiéis do território do califado. Respirava multiculturalismo europeu.
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Sai em outubro: ‘Colosso. Ascensão e Queda do Império Americano’ (Temas e Debates), de Niall Ferguson – que acaba de escrever uma biografia de Kissinger. Compreender a América além do lugar-comum.
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