Francisco José Viegas

Escritor

Blog

05 de março de 2015 às 00:30
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Basta dizer-se que um pateta é um artista para que ele suba de degrau. Veja-se o caso de Nelson Shanks, um simpático pintor septuagenário especializado em ‘retratos oficiais’.

Foi ele o autor do de Bill Clinton – que pernoita na National Gallery – onde, garante, "está escondida uma referência ao escândalo Monica Lewinski". Fui a correr ver a coisa: há de facto uma sombra que mancha a tela, sim, provocada – dizem os hermeneutas – por um vestido azul (o célebre, de Miss Lewinski) que o artista tinha ao lado enquanto pintava. Mas, no quadro, do vestido só nos chegou a sombra. Diz ele que é uma metáfora do mandato presidencial.

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Ora, este Shanks é um cobardolas: Velásquez, que era fino e vaidoso, pintou-se a si próprio em ‘Las Meninas’ ao lado de Margarida de Áustria ainda princesa, tal como Van Eyck reproduziu outras pessoas num espelho do retrato do casal Arnolfini. Mas, em matéria de sombras, nenhum deles sonhava com os felácios dos outros.

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