Francisco José Viegas

Escritor

Blog

21 de julho de 2016 às 01:45
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Como era a vida em casa da fria e austera Anna Serguéievna Odíntsova? Um registo de pêndulo, uma agenda calculada e cumprida com rigor. Foi isso que leva Turguéniev a escrever esta pérola sobre as semanas que Arkadi e Bazárov passaram nessa casa: "O tempo (toda a gente sabe) voa por vezes como um pássaro, outras vezes arrasta-se como uma lagarta; mas o homem sente-se especialmente bem quando nem nota se o tempo passa depressa ou devagar."

Falo de ‘Pais e Filhos’, extraordinário romance de Ivan Turguéniev (1818-83) que a Relógio d’Água republicou, com tradução de António Pescada (inclui um texto final de Vladimir Nabokov). 150 anos depois, a figura de Evgeni Vassilievitch Bazárov continua a ser um pilar do romance contemporâneo; acreditámos na sua angústia sem maneirismos, na sua independência, na sua indiferença dilacerada e na violência que incorpora.

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Turguéniev, autor esplêndido de ‘Primeiro Amor’ (1860) e ‘Águas da Primavera’ (1872), brilha neste livro como um dos mais modernos russos de todos os tempos. E um dos mais livres.

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