Francisco José Viegas

Escritor

Blog

23 de fevereiro de 2017 às 00:30
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Periodicamente, um grupo de sociólogos locais (gente de bairro, com empregos no Estado) aparece em público anunciando que o turismo é uma das várias pragas que ameaça a pátria. Não só o Portugal de hoje mas, também, hossana nas alturas – a nossa identidade. Já houve um cavalheiro, que entretanto ocupou um cargo importante na tutela do turismo português, a chamar "prostituição de um povo" a essa atividade.

A ideia de que os países são zonas fechadas e imunes não é nova – mas os ativistas antiturismo, que choram de saudade pelos edifícios decadentes dos centros históricos (entretanto em recuperação por causa do turismo) e pelas esquinas do Cais do Sodré, da Ribeira e do Bairro Alto transformadas em mictórios, deram um novo significado à aliança entre o "provincianismo" e o protecionismo cultural.

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A verdade é que parte do País limpou a casa para receber as visitas, e todos ficámos a ganhar. Quanto à identidade, ela é como é: aberta e fugaz. Graças a isso, nos nossos retratos já não há mulheres vestidas de negro, abandonadas e pobres – que era parte da nossa identidade salazarista.

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Citação do dia

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"Expedito a extorquir contribuintes, o Estado é inepto no combate ao crime", Eduardo Dâmaso, ontem, no CM

Rilke, sempre 

Após as ‘Elegias de Duíno e Sonetos a Orfeu’ (tradução de Vasco Graça Moura), é a vez de (agora pela Ítaca) chegar às livrarias ‘Ao Largo da Vida’, de Rainer Maria Rilke, tradução de Isabel Castro e Silva.

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