Se se lembrarem de ‘Viva Maria’ (1965), de Louis Malle, hão de recordar-se de Jeanne Moreau ao lado da ‘sex symbol’ da época, a Bardot.
Ao contrário desta, que respirava uma energia visível, um perfume juvenil e corporal, Moreau pairava mais atrás, como uma beleza sem descrição, tão subtil como em ‘A Noite’, de Antonioni (1961), com Mastroianni e Monica Vitti (o seu contraste), tão perversa como no filme-escândalo da temporada, ‘Les Amants’ (1958), de Louis Malle (interpreta uma mulher casada que trai o marido e o amante) ou tão inesperada que só podia ser retocada por mão de mestre em ‘Jules e Jim’ (um triângulo amoroso) pela sensibilidade de Truffaut (de 1962), que havia de amadurecê-la em ‘A Noiva Estava de Luto’ (1968), após passar pelas mãos de Luis Buñuel no cru ‘Diário de uma Criada de Quarto’ (1964).
A sua beleza era pérfida (veja-se ‘Ligações Perigosas’, de Roger Vadim, 1959), difícil e de um erotismo malvado (Orson Welles coloca-a em Macau em ‘Uma História Imortal’, adaptação do texto de Karen Blixen) – não era para meninos, se me faço entender.
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