Era assim que o Luís Montenegro de setembro de 2023 classificava as dificuldades na abertura do ano letivo 23/24 e as deficiências no funcionamento dos hospitais durante o verão: “Este Governo é um atraso de vida”, dizia o Montenegro de 2023, garantindo que com planeamento e antecipação dos problemas tudo se resolveria com facilidade. Chegados a setembro de 2024, conhecemos um novo Luís Montenegro, que desmente tudo o que dizia o antigo. Onde o Montenegro de 2023 só via facilidades, o Montenegro de 2024 só vê dificuldades. Onde o antigo via incapacidade governamental, o de hoje só vê impaciência e incompreensão. Interrogamo-nos se serão duas pessoas diferentes! Afinal, o funcionamento das urgências hospitalares, em especial as de ginecologia e obstetrícia, funcionaram pior no verão de 2024 do que em 2023. A abertura do ano letivo a decorrer esta semana promete deixar centenas de milhares de alunos sem professor a pelo menos uma disciplina e, em muitos casos, a mais do que uma. O que diria o Montenegro antigo ao Montenegro de hoje? Uma cadeia sem diretor há quatro meses deixou fugir cinco prisioneiros perigosos. Escondidos atrás das cortinas de veludo dos ministérios, os governantes fugiram às explicações públicas obrigatórias, ao longo de quatro dias, sobre as razões para termos uma prisão sem direção durante tanto tempo. O que diria o Montenegro antigo ao Montenegro de hoje? Há muito que se sabia que o Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna assumiria em julho as funções de Representante Permanente de Portugal na NATO, em Bruxelas, e que o mandato do diretor da PJ terminaria em junho. Apesar de ter ficado quase até final de agosto para assegurar a transição da pasta, o secretário-geral não foi substituído; o Sistema de Segurança Interna, que depende do primeiro-ministro, está decapitado e a PJ em gestão corrente desde junho! Não encontrará o primeiro-ministro tempo para tratar destes assuntos? O que diria o Montenegro antigo ao Montenegro de hoje? A PGR termina o mandato em outubro e o Presidente da República, a quem cabe a nomeação por proposta do Governo, manda recados pelos jornais a lembrar que é bom que falem com ele. Achará o Governo que pode tratar de um assunto desta natureza em cima do joelho? O que diria o Montenegro antigo ao Montenegro de hoje? Se o Montenegro de 2023 encontrasse o Montenegro de 2024 dir-lhe-ia com honestidade: “O teu Governo é um atraso de vida, Luís!”
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