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Isilda Gomes

Eurodeputada do PS

A precariedade como política

21 de junho de 2026 às 00:30

Em nome dos lucros, toda a flexibilidade. Para os trabalhadores, toda a precariedade. Ao permitir a celebração de contratos a prazo com trabalhadores que nunca tiveram um vínculo sem termo, a proposta do governo para alterar a lei laboral cria um mecanismo que prolonga indefinidamente a insegurança. Em vez de serem uma porta de entrada para um emprego estável, os contratos a prazo passam a ser um destino; ao acabar com a reintegração dos trabalhadores em caso de despedimento ilícito, liberalizam-se os despedimentos sem justa causa, com os trabalhadores a poderem ser imediatamente substituídos por outsourcing. Os primeiros atingidos serão os jovens. São eles que entram no mercado de trabalho através de vínculos precários e mais dificuldades enfrentam para arrendar ou comprar casa e planear o futuro. Isto contradiz o discurso do governo, que apela ao regresso dos jovens emigrados. Os países mais avançados da Europa têm práticas laborais justas. O governo quer o contrário. Precisamos de empresas competitivas e de uma economia dinâmica. Mas com trabalho digno e com direitos. Um país não se torna mais forte tornando mais fraca a posição de quem trabalha. 

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