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Baptista-Bastos

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Jornalista

A moral espancada

16 de dezembro de 2015 às 00:30

Em magno conclave dos jotas do CDS, Paulo Portas apareceu e disse. Sem citar Thomas More, falou em utopia, execrando com veemência o significado oculto da palavra. Revelou, então, que nazismo e comunismo procediam desse sonho absurdo e criminoso. Afirmativa tola e indecorosa. Ou Portas não leu A Utopia, e fala barato (não é de estranhar) ou, se leu, deturpou, com indignidade intelectual, o significado do belíssimo livro. Confundir, em deliberado propósito, comunismo com nazismo, é uma estafeta muitas vezes corrida pelos alveitares de Direita. Sem outro efeito que não seja o de passarem por biltres ou por atrevidos ignorantes. Curioso o facto de o dr. Cavaco ter, vai em anos, confundido Thomas More com Thomas Mann, e também que Portas inimigo viral de Marcelo, ser, agora, seu apoiante virtuoso. Nesta mixurucada de carácter, lembremos que o chefe do CDS foi, quando director de O Independente, quem mais zurziu no dr. Cavaco, caindo, depois, calorosamente, no grato entusiasmo daquele a quem vituperara.

Dizem por aí que a política não tem moral e desconhece a gratidão. Maquiavel estabeleceu o quadriculado de tal breviário, e, pelos vistos, tinha razão. Em Portugal assistimos a desavergonhados conluios e a surpreendentes, por inesperadas, reviravoltas. Leia-se os grandes historiadores e assistir-se-á, marcadamente desde o fim da Monarquia, ao cortejo de vira-casacas, assim chamados aos abjurantes, que rapidamente se adaptaram a novas épocas criadas com as novas particularidades políticas.

Paulo Portas, sobre ser um finório, não merece nenhuma credibilidade. A última, à data, foi a do "irrevogável." E, quando fala e diz, não merece o mínimo respeito. Talvez seja simpático aos que apreciam aquele modo de ser e de viver; porém, os que se conduzem com um mínimo de seriedade, e exigem a seriedade como princípio e norma, ele é, apenas, um grotesco. O caso não é único; mas não deve nunca ser caso exemplar. Comportamentos daquela natureza são extremamente deletérios, havendo sempre a urgência e a necessidade de os combater com atrevimento.

O facto de, um pouco por toda a Europa, aparecerem movimentos de contestação a esta rotação perigosíssima, assim como a ascensão de partidos e de clubes de extrema-direita, são indicações, as quais não podem ser ignoradas, de que algo vai muito mal por aqui e pela Europa.

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