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João Pedro Ferreira

D. António Ferreira Gomes: A carta do bispo que afrontou Salazar

19 de julho de 2026 às 01:30

No dia 13 de julho de 1958, o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906-1989), enviou ao presidente do Conselho (como na altura era designado o primeiro-ministro), Oliveira Salazar, uma carta que teve o efeito de uma bomba. “Temos de ser francos, talvez brutais: o corporativismo português (...) foi realmente um meio de espoliar os operários do direito natural de associação (...) que tinham reconquistado, penosa e sangrentamente.” A denúncia da miséria em que vivia o povo não podia ser mais clara: “Não poderei dizer quanto me aflige o já exclusivo privilégio português do mendigo...” Mas a crítica do bispo do Porto não se limitou à questão social. D. António pôs o dedo na ferida da situação religiosa: “E com isto se quer comprometer e, na verdade, se comprometeu, inútil mas terrivelmente, a Santa Igreja.” O prelado acabava por tirar conclusões politicas, exigindo “o respeito, a liberdade e a não discriminação devidos ao cidadão honesto em qualquer sociedade civil”.

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