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João Aranha

Colaborador

Do nascimento à extinção

22 de dezembro de 2016 às 16:08

Com mais um ano a findar, eis a ocasião propícia para algumas reflexões. Ao fazê-lo, dei comigo a meditar sobre a ignorância de alguns anti-taurinos e outros fundamentalistas urbano-depressivos que, nunca tendo visto parir uma ovelha ou cobrir uma burra, se permitem criticar quem aponta factos sobre tão importante matéria. E ao reler alguns comentários pseudo-científicos que alguns dos meus apontamentos no CM têm merecido por parte de quem pouco ou nada sabe, não me escuso de repetir, por exemplo, que me parece descabido largar para o campo jovens linces, nascidos em cativeiro. Os animais vão mal preparados para sobreviver à míngua de coelhos bravos, dizimados em mais de 75% por novas investidas de mixomatose ou de doença hemorrágica, conforme dados oficiais.

Igual comportamento provem dos que, à porta do Campo Pequeno, em noite de corrida, ou mesmo na  comunicação social, e até na Assembleia da República, continuam a afirmar que o toiro bravo (o toiro de lide destinado à tourada) mais não é do que um bovídeo que não estará condenado à extinção se as touradas acabarem, podendo sobreviver livremente na natureza. Uma tal crença peca por total ignorância de quem, com base num fundamentalismo sem fundamento, desconhece todo o percurso da espécie, desde que se chamava auroque e surgia pintado nas cavernas da pré-História até ao soberbo animal que hoje temos.

Numa evolução que Darwin explica em parte, cabendo a restante à criatividade e ciência genética usadas pelo homem logo que, depois do Paleolitico, deixou de usar o toiro apenas como fonte alimentar. A tese é surrealista porque não só desconhece que os custos de criação e manutenção de uma ganadaria de bravo são muito mais elevados do que a simples pastorícia de outras raças bovinas, como desconhecem que o valor comercial do toiro bravo está na sua bravura e que os lugares onde é criado têm características específicas e constituem património de quem os detém.

A ideia de que existe uma natureza onde podem caber todos os animais em risco de extinção não passa de romantismo. E mesmo no Natal… Enfim!

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