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Cátia Oliveira, A Garota Não

Cantora

Mas pela própria cabeça de quem?

30 de agosto de 2026 às 00:30

Foi no 10º ano que tive o primeiro contacto com a disciplina de filosofia e com a mulher que lhe daria rosto, Beatriz A. Um dia alguém - que na minha memória só pode ter sido o Bruno M., só ele teria lata - perguntou-lhe porque é que ela usava apenas duas mudas de roupa. E ela riu-se e respondeu-nos que assim não perdia tempo a escolher. Usava uma, lavava a outra, e isto o ano inteiro, numa espécie de uniforme que conheceríamos à distância no meio de um estádio de futebol (talvez na segunda mão da partida de filósofos dos Monty Python). Dizia-nos também, volta e meia, quantos e quais os livros que andava a ler e eu, que não vinha de uma casa de grandes leitores, ficava impressionada com isso, porque não tinha o hábito de começar a ler um livro se não tivesse acabado ou desistido do que tinha em mãos. Como se trouxesse um intruso para a relação delicada que cada livro propõe. Um dogma inútil, percebi depois, até porque muitas vezes é exatamente o livro em que estamos que nos impele à leitura de outro, seja pela saúde da sua compreensão ou pela necessidade de abrirmos outra janela.

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