page view
Marcos Perestrello

Marcos Perestrello

Deputado do PS

Moçambique, Portugal e o interesse nacional

15 de janeiro de 2025 às 00:30

O modo como Portugal conseguiu estabelecer relações com os países africanos de língua portuguesa depois das respetivas independências, em 1975, é notável. As independências foram conseguidas após séculos de presença naquelas terras sem que se possa assinalar uma grande prosperidade para os povos locais e depois de quase uma década e meia de guerra sangrenta, onde as grandes potências internacionais da época intervieram em defesa das suas esferas de influência. Com décadas de atraso em relação ao que se passava na Ásia e em África, as independências obrigaram à saída apressada das autoridades portuguesas dos novos países, deixando o poder nas mãos de partidos ligados à União Soviética e cheios de gente com profundo ressentimento anticolonial. Refazer as relações de Portugal com cada um desses países só foi possível graças à boa vontade de muita gente, ao respeito mútuo sempre presente e à perceção clara de que esse relacionamento traduz o interesse nacional de todos. Penso nas relações bilaterais, Estado a Estado, onde os programas de cooperação nas mais diferentes áreas das políticas públicas constituem um marco relevante; penso nas profundas ligações entre os nossos povos, bem visíveis na dimensão das comunidades portuguesas que neles vivem, bem como na importante expressão demográfica de cidadãos originários desses países a viver em Portugal; penso na dimensão das relações económicas e do investimento de uns nos outros. Saliento a construção da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde nos sentamos à mesma mesa de forma permanente e coerente e que tem sedimentado os laços entre todos. Lembro que nas organizações internacionais de que todos fazemos parte, como a Organização das Nações Unidas, em regra temos alinhado posições. As últimas eleições em Moçambique estão envoltas em polémica, contestação e violência, mas as relações entre os Estados obedecem necessariamente aos interesses nacionais de cada um e o interesse de Portugal é manter as suas relações diplomáticas, políticas e económicas com Moçambique. Independentemente das dificuldades que o país viva e da condenação que devamos fazer da violência política, seria impensável, constituiria uma traição ao interesse nacional, virar as costas a Moçambique (não faltam nesse mundo potências interessadas na deserção de Portugal da defesa dos seus interesses em África). É por isso que o Ministro dos Negócios Estrangeiros faz muito bem em estar presente na posse do novo Presidente de Moçambique.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Blog

Trump deu um tiro no pé. Só Napoleão ao resolver invadir a Rússia se lhe compara.

Bombeiros no limite

Com a aproximação da época de incêndios, aumenta a pressão sobre corporações já fragilizadas, obrigadas a responder diariamente a emergências e ao uso intensivo de ambulâncias.

Proteger quem cuida

Não deixar quem cuida à mercê da violência e do sofrimento tem de ser uma prioridade.

O Correio da Manhã para quem quer MAIS

Icon sem limites

Sem
Limites

Icon Sem pop ups

Sem
POP-UPS

icon ofertas e descontos

Ofertas e
Descontos

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8