Há muitos anos, quando era redactor do 'Diário de Lisboa', com a redacção chefiada por Vítor Direito, foi-me marcado um serviço que era ida ao aeroporto de Lisboa para noticiar a chegada a Portugal de Roberto Rossellini, brilhante realizador, casado com Ingrid Bergman. Ele sabia que estava numa pátria atormentada pela censura e pelo fascismo de que ele se libertara no seu país. Manifestou a sua alegria por se encontrar em Portugal e nada disse sobre o cinema português, que não tinha condições políticas para abordar os temas do neo-realismo italiano, nem para mostrar personagens, muitas delas assumidas por actores amadores que batalhavam para ter uma barraca nos arredores de Roma ou de Milão ou para terem pão para matar a fome de todos os dias.
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