Um preopinante de Direita, pelo qual manifesto um profundo desprezo, não por ser de Direita, naturalmente, mas por ser um contumaz trapalhão, escrevia, há semanas, que o marxismo fora uma epidemia na Europa continental, e não no Reino Unido. A mentira não encontrou opositor. O sujeito, há anos desacreditado, entrou numa acelerada degenerescência e as suas obsessões transformaram-se em patologias. Não basta enumerar os imensos estudos em Oxford e em Cambridge sobre o tema, como o resultado, ainda hoje notório, desses estudos. Chega indicar os livros, os debates e as conferências regularmente realizados naquele país.
O articulista desejava reduzir à inexistência o conflito generalizado na sociedade portuguesa, e a luta de classes que, de há quatro anos a esta parte, assola Portugal. Aliás, segundo ele, não há luta de classes, outra mistificação do marxismo. A desonestidade intelectual tem um preço, e a ignorância premeditada constitui um nojo, que só um biltre pode incorporar, sem pejo nem um pingo de dignidade.
Os estudos do marxismo adquirem, cada vez mais, um interesse acentuado nas grandes universidades estrangeiras. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro é uma das mais prestigiadas nesse e em outros domínios do saber. Em Portugal, o marxismo mal era, ou não era mesmo, estudado academicamente. Por proibição do poder. Os estudos, clandestinos, eram feitos às escondidas, através de livros e revistas da especialidade procedentes de França ou de… Inglaterra.
A ideia marxista propagou-se entre os estudantes portugueses e as camadas intelectuais. E o neo-realismo, que abarcou toda a actividade cultural do País, inclusive com influência no jornalismo dos anos de 60 do século passado, é uma evidência incontestável, só negada por um desavergonhado como aquele a que aludo, e cujo nome não aponho neste texto, pretendidamente asseado e limpo de esquírolas. Parece não ter passado a época das montagens fotográficas, da supressão de pessoas nas imagens e até fisicamente, da proibição de livros e da anulação de autores. Não só em Portugal, mas em outros países que caucionavam a liberdade como fim essencial. O pior é que o cerco é cada vez mais apertado e uma parte substancial da democracia está a ser reduzida.
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