Esta é uma bem boa história de toponímia que saiu aqui neste jornal, a propósito da mudança da medida de coação aplicada a Sócrates. Depois da prisão de Évora, o ex-primeiro-ministro suspeito saiu a tempo das legislativas e está em domiciliária em Lisboa, na casa supimpa da ex-mulher numa rua com nome de abade.
A rua é a do Abade Faria. Dá-se o caso que o Abade Faria foi um sujeito que conspirou para derrubar o regime português em Goa em 1787 – na reprimida Conjura dos Pintos. O tal de Faria refugiu-se depois em França, onde comandou uma das secções que atacaram a convenção nacional. O abade, que foi professor de filosofia e praticante de hipnose, talento que tanto lhe trouxe clientela como descrédito – há coincidências do diabo! – esteve preso no Castelo D’If e foi na sua figura que Dumas se inspirou para a personagem que sabia onde estava o tesouro em ‘O Conde de Monte Cristo’.
Já que falamos de significados toponímicos, presumimos que ficasse igualmente bem em domiciliária no Beco das Mil Patacas, nas Escadinhas dos Terramotos ou que António Costa preferisse vê-lo ao longe na Travessa do Fala-Só.
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