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Fernanda Cachão

Fernanda Cachão

Editora da Correio Domingo

Esferovite

28 de junho de 2026 às 00:30

Devo dizer que quando era pré-adolescente nada mais me embaraçava do que estar na praia com uma geleira guarnecida de víveres para o dia. Tal como os adolescentes passaram a querer sair menos da casa dos progenitores - conquistado que foi algo antigamente inaudito, a liberdade de expressão ainda dentro do ninho -, também as geleiras passaram de monos a coisas ‘trendy’. Confesso que agora descubro, tantos anos depois, que talvez fizesse falta o item que antigamente era o martírio que me desviava dos mergulhos na água à beira de novas companhias. - Anda já lanchar! Posto isto, foi no século XIX, quando o gelo era cortado da natureza e armazenado em grandes depósitos, que se teve de ultrapassar o problema de como transportá-lo. Foi Sir James Dewar, que pesquisava gases liquefeitos em temperaturas baixas, que inventou um contentor que matinha as condições térmicas por largos períodos. O frasco com paredes duplas de vidro, com vácuo entre elas, nunca foi patenteado pelo cientista escocês. Deu-se por isso que, em 1904, dois alemães tenham percebido o seu potencial e aperfeiçoado a garrafa térmica, depois de fundarem a empresa Thermos Gmbh. O nome vem do grego ‘terme’, que significa calor. E assim já se percebe a origem da palavra termo. A tecnologia acabou por inspirar a criação de recipientes maiores feitos com materiais isolantes - como a cortiça, a serragem ou a lã revestidas com madeira ou metal - e que durante a Primeira Guerra Mundial tanto transportavam alimentos, como medicamentos, vacinas ou sangue. Com os anos 40, essas caixas tornaram-se mais leves graças à invenção do poliestireno expandido ou seja, a esferovite. Refira-se que a descoberta acidental numa empresa química, ainda hoje não é biodegradável.

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