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Francisco Moita Flores

Francisco Moita Flores

Professor universitário

Violência doméstica

02 de abril de 2026 às 00:30

Os números do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), quando publicados, tornam-se numa festa. São manipulados e torcidos para espremer grandes verdades que, afinal, são aquilo que são por mais comparações e ilusões se possam fazer. A verdade, é que o axioma de Sutherland, com várias décadas de vida, permanece intacto. As sociedades possuem um determinado nível de criminalidade que é equivalente para todas as sociedades com o mesmo nível de desenvolvimento. Aqui, em Portugal, pouco alteram os números. Somos dos países mais seguros da Europa. Porquê? Porque continuamos a ser dos mais subdesenvolvidos E assim continuará, seja qual for o espalhafato que se faça com os números. Na verdade, a grande persistência a curto, médio e longo prazo é a violência doméstica. Coisa que os governantes ignoram e números que retratam o estádio primitivo da condição feminina num Portugal que se desejava com outro estatuto no contexto europeu e no quadro da igualdade de género. Nem o País, nem o crime passam da cepa torta.

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