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Germano Almeida

Germano Almeida

Especialista NOW

A morte de uma contradição

16 de julho de 2026 às 00:30

O desaparecimento de Lindsey Graham ajuda-nos a compreender o monte de contradições em que caiu a política americana na última década. Na corrida presidencial de 2016, o senador da Carolina do Sul, esteio do conservadorismo sulista, recusou-se a alinhar no apoio a Trump, mesmo quando a nomeação do magnata de Nova Iorque se tornou inevitável. Enquanto se manteve como pretendente à escolha republicana, Graham alertou para o óbvio: Trump apela "ao racismo e à xenofobia", "não representa os valores republicanos". Juntou-se primeiro a Jeb Bush, depois a Ted Cruz. Quando Donald insultou e difamou John McCain, Graham (seu grande amigo) disse basta e denunciou o perigo que aí vinha. Trump não lhe perdoou e expôs à turba o número de telefone de Lindsey, apelando a que todos ligassem ao senador da Carolina do Sul. Mas (e que grande 'mas' será este), o próprio Graham se juntou aos que se vergaram ao novo poder populista. De corajoso adversário transformou-se num dos maiores aliados do Presidente Trump. Que legado contraditório deixa Lindsey: coragem mas depois capitulação; erro no Irão mas agulha certeira na responsabilidade dos EUA. A sua morte simboliza o fim de uma linhagem de senadores que viam como possível juntar amizade sincera com diferenças políticas insanáveis. Agora já não dá.

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