Luís Montenegro vai a votos no domingo. Não é gralha. Um partido - qualquer partido - tem sempre o seu candidato presidencial. Mas Montenegro foi além disso: adoptou Marques Mendes e andou com ele ao colo, embalando-o em comparações generosas com Cavaco e Marcelo.
Se Mendes chegar a Belém, é uma aposta ganha. Se ficar pelo caminho e for António José Seguro a disputar a Presidência com Ventura, o governo entra em zona sísmica: um Chega com pressa de ir às urnas e um PS revigorado, confiante e pouco disponível para garantir a sobrevivência da legislatura.
A carta que Cotrim de Figueiredo escreveu a Montenegro, pedindo-lhe apoio, pode ter sido uma manobra para diluir os tropeções da campanha. Mas, manobras à parte, continha um ponto relevante: afastado Mendes pelas sondagens, só uma vitória de Cotrim permite adiar uma crise que já se anuncia.
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