O país assiste, estupefacto, ao carrossel de revelações sobre o ministro da Administração Interna. É o empreiteiro amigo que faz obras de vulto na PJ e na casa do ministro; é o tanque que não é um tanque, mas uma piscina mal-amanhada; é o atrelado apreendido pela mesma PJ que reaparece em Barcelos - na empresa do mesmo empreiteiro.
Perante este folhetim, Luís Montenegro não se apoquenta. Para quê? Quando olha para as sondagens, o primeiro-ministro vê os três blocos de sempre - AD, PS e Chega - cristalizados na sua impotência. Nenhum deles, até ver, consegue uma vantagem eleitoral clara. Os sarilhos dos seus ministros, por mais vistosos que sejam, ainda não chegam a ameaças existenciais.
Há quem veja um pântano neste impasse. Com razão. Mas há uma ironia por acrescentar: antigamente, os pântanos engoliam governos; agora, servem para os sustentar.
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