O caso João Soares mostra bem o sentimento de ‘impunidade’ da nossa esquerda. Ontem, o ex-ministro ameaçava e insultava dois cronistas. O País não gostou.
Soares, com visível enfado, pediu desculpas caso tivesse ‘assustado’ os visados. Esta reles pilhéria (o homem gosta do Eça), longe de acalmar o fogo, incendiou o pardieiro. Soares, resignado, pediu desculpas sem abusar da ironia.
A demissão, manifestamente, não lhe passava pela cabeça. Nem a ele, nem ao primeiro-ministro, que pelos vistos não a exigiu de imediato. O máximo a que Costa se permitiu foi lembrar que Soares já pedira desculpas; e que um ministro deve comportar-se com a dignidade inerente. Até no café.
Este cortejo de abuso e cobardia terminou com o pedido de demissão. Não pelo reconhecimento do erro. Mas porque Soares, em pose de vítima, reclama o direito à palavra. Uma criatura destas não tem emenda. Nem à bofetada.
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