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João Pereira Coutinho

João Pereira Coutinho

Sinais de vida

13 de outubro de 2017 às 00:30

Quando José Sócrates foi detido, começou o contra-relógio: falo de políticos ou comentadores que, dia sim, dia sim, perguntavam pela acusação. A manobra era óbvia: condicionar o trabalho da justiça. Mas era também mentecapta: os mesmos que denunciavam o atraso da acusação desconheciam por completo a dimensão (e a complexidade) do processo.

E ignoravam que esses atrasos eram também imputáveis à estratégia da defesa.

Pois bem, a acusação chegou. E os dados revelados permitem concluir que não era possível fazer melhor no tempo disponível. Para o MP, não estamos na presença de crimes vulgares; mas de um complô entre os poderes político, económico e financeiro para controlar a democracia e saquear Portugal.

Presunção de inocência? Sem dúvida. Mas este processo simboliza já uma vitória: depois de anos de reverência perante o poder, a justiça mostrou aos portugueses que ainda serve para alguma coisa.

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