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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Meloni, mulher elástica

07 de setembro de 2026 às 00:30

A longevidade do Governo italiano, o mais duradouro desde a II Guerra Mundial, explica-se pela elasticidade da Primeira-Ministra Giorgia Meloni, hábil a falar para, e a gerir, as “várias Itálias”: a conservadora e identitária, preocupada com imigração, segurança e valores; a produtiva e empresarial, que exige estabilidade e previsibilidade; a popular, sensível a emprego, salários e custo de vida; e a Itália nacional, que reivindica mais soberania e reconhecimento internacional. A elasticidade de Meloni estende-se a “várias Europas”: é simultaneamente crítica do centralismo de Bruxelas e promotora da UE, atlantista e defensora da autonomia estratégica europeia, mantendo canais com as diferentes famílias da direita europeia e com Washington. Essa elasticidade é visível ainda no seu populismo peculiar: preserva a retórica da representação do “povo”, mas pretende ser aceitável para as elites económicas e institucionais; é anti-sistema no discurso, mas procura a integração e a gestão do sistema; radical na identidade, mas moderada no poder. A elasticidade de Meloni tem permitido agregar diferenças, mas sem as resolver. Até onde esticará?

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