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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Terrorismo estatal e guerra híbrida

05 de outubro de 2026 às 00:30

Os recentes incidentes junto da base da RAF Fairford, no Reino Unido e num voo da FlyDubai entre Dubai e Telavive, suscitaram, de imediato, suspeitas de terrorismo com ligações ao Irão. Estes casos somam-se a inúmeros incidentes na Europa atribuídos à Rússia e que configuram atividades terroristas, incluindo sabotagens e assassinatos. Regressámos, assim, à discussão sobre 'terrorismo estatal', i. é, a possibilidade de ataques motivados e orquestrados por determinados Estados, distinguindo-se do terrorismo de atores não estatais por motivações jihadistas, político-ideológicas ou outras. Por outro lado, complexifica os debates sobre a 'guerra híbrida', já que esta contempla ações terroristas. O recurso ao terrorismo por atores estatais, numa ampla zona cinzenta da guerra, representa uma escalada perigosa, mas facilita a negação plausível da autoria e dificulta a atribuição e a resposta. Mas existe também o risco inverso: instrumentalizar suspeitas para alimentar hostilidades, justificar retaliações ou promover agendas ocultas. Por isso, a atribuição rigorosa, baseada em evidências, tornou-se parte essencial da segurança internacional.

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