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Pedro Santana Lopes

Uma medida óbvia

É importante pôr empresas e estado a trabalhar em conjunto.

Pedro Santana Lopes 5 de Fevereiro de 2016 às 00:30
A propósito dos transportes urbanos poderem ser privatizados, municipalizados ou poderem continuar públicos, há uma dimensão que nunca mais se ouviu falar: a da criação das autoridades metropolitanas de transportes. Vou voltar ao exemplo a que sempre me refiro. Na região de Madrid, a autoridade metropolitana foi criada em 1986, ou seja, há 30 anos. Desde então, inverteu significativamente a relação entre utilizadores de transportes públicos e privados. Diminuiu muito o uso de meios de transporte privado e aumentou muito o recurso a transportes públicos. Ao fim e ao cabo em que consistem as autoridades metropolitanas de transportes?

Uma coisa muito simples: pôr as empresas de transportes, os municípios e também representantes do Estado a trabalhar em conjunto na gestão dos respetivos sistemas. Como qualquer pessoa percebe, não faz sentido, por exemplo, os horários e carreiras dos diferentes modos de transporte serem estabelecidos sem essa concertação inter-municipal. Fala-se muito em inter-modalismo mas, como é evidente, sem esse trabalho conjunto ele é absolutamente impossível. Naturalmente, quando os municípios tomam medidas limitadoras da circulação do transporte privado, os automóveis, cada vez se torna mais premente criar as condições para a eficácia dos sistemas públicos de transportes.

No Governo de Durão Barroso criou-se essa comissão instaladora da autoridade metropolitana de transportes, com a designação de um representante do Governo, outro da Junta Metropolitana de Lisboa e outra da Câmara Municipal de Lisboa. A comissão começou a desenvolver os seus trabalhos, mas foi-se deparando com a relutância do Ministério das Finanças em assegurar a transferência de verbas para essa entidade. Note-se bem que falo das verbas que ano após ano foram saindo do Orçamento do Estado, nomeadamente em indemnizações compensatórias de milhões e milhões de euros para as empresas de transportes urbano, sobretudo em Lisboa e Porto.

Durante o meu Governo tentei concretizar o processo, mas não tive tempo pelas razões conhecidas e nos dois governos seguintes não houve desenvolvimentos. Sejam os transportes privatizados, sejam concessionados ou municipalizados, é indispensável essa concertação estruturada e formalizada. É das tais coisas óbvias que fazem daquele grupo de realidades que, em Portugal sendo óbvias, são as que mais tempo demoram a resolver.

Faz-me lembrar sempre o caso dos governos civis, onde já era obviamente tempo de acabar com eles, o que eu há muito defendia, e que acabaram mesmo em 2011/2012 e nunca mais ninguém se lembrou deles. Também na altura era óbvio, como óbvia é a necessidade desta medida que hoje aqui lembro.

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Imperdível: corsos e bailes de máscaras
Embora o Carnaval seja só na próxima terça-feira, já durante este fim-de-semana realizam-se várias iniciativas relacionadas com o tema em diferentes cidades do País, com especial incidência para as atividades com os mais novos. Este ano, cidades como Caldas da Rainha, Miranda do Corvo, Tomar, Figueira da Foz, Tavira ou Oliveira de Azeméis, entre outras, vão realizar corsos infantis, envolvendo alunos de escolas locais.
Para os mais adultos, num espírito carnavalesco mais sóbrio, a Casa da Música no Porto realiza no domingo um concerto sobre a temática do baile de máscaras interpretado pela Orquestra Sinfónica, onde se vai poder ouvir obras de grandes compositores russos, incluindo "Carnaval" de Schumann. Uma forma diferente de celebrar o Carnaval.

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Canto curto: Patrocínio dos chineses
A ida de Pedro Proença à China, nomeadamente por causa do patrocínio à II Liga, gerou alguma controvérsia. Venham ou não jogadores chineses, seja bom ou não o futebol daquele país, a verdade é que várias equipas da liga espanhol jogam com patrocínios nas suas camisolas oriundos da China e escritos em mandarim. Ou seja, por cá ninguém lê, mas muitos milhões lá pelo Império do Meio.

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